O governador do Rio Grande do Sul,Eduardo Leite, ainda tenta minar o favoritismo do goianoRonaldo Caiado e se viabilizar como presidenciável do PSD. Depois da desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, há uma semana, Caiado era dado como escolha garantida, mas o gaúcho intensificou movimentos dentro e fora do partido a fim de demover o dirigente Gilberto Kassab da ideia.
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Na semana passada, o ex-governador de Santa Catarina Jorge Bornhausen, integrante do conselho do PSD que analisa a tática eleitoral, chegou a cravar que Caiado havia sido escolhido “por unanimidade” na comissão. Leite, no entanto, passou a ameaçar internamente não endossar a candidatura do correligionário, o que a esvaziaria — num cenário em que a sigla já enfrenta divisões regionais e não conseguirá ter todos os diretórios estaduais apoiando o presidenciável, seja ele quem for.
Diante da nova indefinição, não há data prevista para o anúncio de Kassab, ao contrário do que foi feito no caso de Ratinho. Esta semana é a última para políticos que estão no Executivo deixarem os cargos se quiserem disputar as eleições em outubro. O último dia permitido é 4 de abril, sábado, a seis meses da ida às urnas.
Apoios robustos
Um dos ativos de Leite é a defesa de sua candidatura por figuras de peso alheias ao partido. Nas últimas semanas, dois economistas importantes para a consolidação do Plano Real, Arminio Fraga e Persio Arida, colocaram o gaúcho como seu presidenciável ideal. Eles foram as vozes públicas de algo que também acontece nos bastidores, com figuras do universo financeiro atuando em prol do governador de 41 anos.
— Eu não acredito que a situação polarizada que temos hoje vai dar uma resposta (aos problemas do Brasil). Acredito que quem pode colocar o Brasil nessa trajetória é o governador Eduardo Leite — disse Fraga, ex-presidente do Banco Central, durante o South Summit, em Porto Alegre.
Já Persio Arida, um dos arquitetos do Real e ex-presidente do BNDES e do Banco Central, manifestou preferência pelo ex-tucano no Festival Fronteiras do Pensamento, em São Paulo.
O próprio Leite reforçou a estratégia de dar declarações que o colocam como única opção de centro para a eleição, capaz de se desvincular tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Caiado tem décadas de trajetória na direita brasileira e ficou próximo ao bolsonarismo nos últimos anos, a despeito de alguns atritos pessoais com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
— O PSD precisa ser, nesta eleição, o centro que está faltando. Com todo respeito ao governador Caiado, o que ele busca representar já tem representante na direita — disse Leite em entrevista à GloboNews.
Enquanto pressiona Gilberto Kassab com base no argumento de alternativa à polarização e com apoios do mercado financeiro, o governador do Rio Grande do Sul vê Caiado angariar o aval de setores como o agronegócio, além de parcelas mais à direita do próprio partido.
Antes da atual dúvida, estava definido que o partido optaria por Ratinho Junior, que, muito por causa do recall atrelado ao apelido herdado do pai, já pontuava perto dos 10% nas pesquisas. Leite e Caiado não passam de 4%.
O paranaense, a despeito dos diversos acenos ao bolsonarismo nos últimos anos, também era lido como alguém mais ao centro do que Caiado. Nas peças para as redes sociais que vinha postando antes da desistência, sinalizava se colocar como um candidato “nem-nem”, capaz de superar a divisão entre o PT e a família Bolsonaro.
Ratinho, contudo, pegou Kassab e aliados de surpresa com o anúncio da saída da corrida, há uma semana. O movimento foi motivado por pedidos da família, que quis evitar a exposição da campanha, e também pela conjuntura local no Paraná, com os riscos atrelados à candidatura do ex-juiz Sergio Moro ao governo do estado pelo PL de Flávio Bolsonaro.
Além dos atributos imediatos, Leite tem a idade como ativo para se vender como uma opção para o futuro, segundo um integrante do partido. Com 41 anos, contra os 76 de Caiado, poderia virar um nome natural para 2030 depois de se tornar mais conhecido na campanha deste ano.
- Eduardo Leite
- Ronaldo Caiado