O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou nesta quarta-feira que o PSD deveria lançar uma candidatura de centro à Presidência da República. Segundo o gestor gaúcho, a sigla precisa imprimir sua identidade na política nacional, o que poderia ser conquistado com sua candidatura, definida por ele como distante da radicalização entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a desistência do paranaense Ratinho Junior, Leite tem como adversário interno o govenador de Goiás, Ronaldo Caiado, nome de direita e alinhado a interesses bolsonaristas, com forte discurso focado na segurança pública.
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— Quero muito que a gente possa ter a opção da candidatura de centro, e não simplesmente uma candidatura na esquerda e três candidaturas do lado da direita mais radicalizada — afirmou Leite, em entrevista concedida à CNN. — Quero ser líder de um projeto que traz o Brasil de volta ao bom senso e ao senso comum. Não há oposição entre ser firme contra o crime ou ser sensível socialmente — completou.
Leite argumentou que, por ser a primeira vez em que o PSD irá lançar uma candidatura ao Palácio do Planalto, o partido presidido por Gilberto Kassab terá sua identidade reconhecida a partir deste pleito. Leite reuniu-se nesta quarta-feira com Kassab, em São Paulo, e ouviu que tanto ele quanto Caiado, tido como favorito, seguem cotados para enfrentar Lula em outubro.
— Essa primeira candidatura do PSD, no meu entendimento, vai ser definidora da identidade que o partido deseja imprimir na política nacional. E eu entendo que é muito importante que a gente possa colocar o PSD como a real alternativa à polarização — explicou o governador gaúcho.
Para conquistar o objetivo, Leite defendeu que o nome lançado pelo partido deve "conversar com quem se identifica com a direita", como em pautas de segurança pública, mas sem perder diálogo com a esquerda, que possui "preocupação com proteção social e a diversidade". Em agosto do ano passado, em debate promovido pelo GLOBO, Caiado chegou a dizer que seu primeiro em um eventual mandato seria a concessão de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Caso não seja o escolhido, Leite declarou que irá permanecer no cargo até dezembro. A decisão impacta em sua sucessão no estado, lançada a partir da pré-candidatura do vice-governador Gabriel de Souza (MDB), que enfrenta dificuldades por falta de tração em meio à disputa com outros nomes mais consolidados, como o deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL) e, à esquerda, dos ex-deputados estaduais Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT) — todos aparecem com vantagem sobre Souza nas pesquisas de intenção de voto.
Disputa em aberto
Após a reunião privada realizada na noite de ontem, Kassab afirmou que o partido terá um nome definido para disputar a Presidência até a próxima terça-feira (31). Ao detalhar o processo de escolha, o presidente da legenda elogiou o capital político dos dois governadores que restaram na mesa e confirmou o prazo apertado para a definição oficial.
— Eu não diria que o PSD é a terceira via. O Brasil precisa de uma alternativa. Não é possível que a gente tenha só duas candidaturas que já tiveram essa oportunidade e que não deram para o Brasil as respostas que o Brasil precisava. Mais uma vez o governador Eduardo Leite deixou clara a sua disposição de colocar o seu nome para ser examinado pelo partido. Isso é muito positivo. É um partido que tem dois quadros com essa dimensão e aprovação em seus estados — declarou Kassab.
Ao GLOBO, nesta terça-feira, o ex-senador e ex-governador de Santa Catarina Jorge Bornhausen disse que o PSD definiu "por unanimidade" a escolha de Caiado. Pouco antes, na quinta-feira passada, Leite afirmou que se o partido deixá-lo ter "a bola no pé", ele vencerá a disputa.
— Se me deixarem ter a bola no pé, entro em campo e ganho esse jogo. Estou muito determinado a isso — disse Leite, em entrevista ao SBT News. — Quero muito oferecer ao Brasil e liderar um projeto alternativo à polarização — completou o governador.
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