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Lula diz que Carla Zambelli 'vai pagar' pelo que fez, seja no Brasil ou na Itália

Lula diz que Carla Zambelli 'vai pagar' pelo que fez, seja no Brasil ou na Itália

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, que "nem se lembrava" do nome da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O petista respondeu a perguntas de jornalistas durante sua viagem à Itália, onde se reuniu nesta manhã com o Papa Leão XVI — e onde a parlamentar está detida desde julho. As autoridades italianas analisam se ela pode e deve ser extraditada.

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A deputada federal deixou o Brasil depois de ser condenada a dez anos de prisão, em maio, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aos jornalistas, Lula destacou que Zambelli "vai pagar" pelo que fez, seja no Brasil, seja na Itália, mas evitou comentar em detalhes por ser "uma questão da Justiça".

— Nem lembrava desse nome. Se você não pergunta, eu nem sabia que ela estava aqui ou não. Para mim, é uma pessoa, sabe, que não merece respeito de quem ama a democracia. Ela vai pagar pelo erro que fez. Ou aqui ou no Brasil. Portanto, é uma questão da Justiça, não é uma questão minha — frisou o presidente brasileiro.

Após sair do Brasil, Zambelli pediu afastamento por 120 dias e mais sete dias para "tratar da saúde". A licença terminou em 2 de outubro. Pelas regras da Câmara dos Deputados, o afastamento não é prorrogável, como reportou a colunista do GLOBO Malu Gaspar. Com o fim da licença, Zambelli teria de retomar o cargo no lugar do suplente, Coronel Tadeu. Como está presa na Itália, passou a acumular faltas.

O regimento da Casa prevê a perda sumária do mandato caso as ausências injustificadas ultrapassem mais de um terço das sessões em um ano, como no caso do correligionário Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde março, em um autoexílio. No entanto, Zambelli já enfrenta um pedido de cassação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, mesmo entre seus pares do PL, há pouca expectativa de que ela escape da punição.

A última movimentação do processo foi uma oitiva com a própria Zambelli diretamente do presídio, em Roma. Ela defendeu a manutenção de seu mandato e disse ter dificuldades para lembrar termos em português e que está aprendendo italiano no cárcere.

No depoimento, ela também chamou Moraes de “bandido” e declarou que seria solta “muito em breve” por acreditar que a Justiça italiana identificaria supostos abusos jurídicos em seu processo no STF. O presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA), afirmou à equipe do blog que aguarda o STF levantar o sigilo do processo de Zambelli, o que foi solicitado pelo colegiado, para pautar a cassação. Caso haja maioria na comissão pela derrubada do mandato, a decisão deve ser chancelada por 257 deputados.

Condenada no Brasil, presa na Itália

Antes uma das deputadas mais próximas de Jair Bolsonaro, Zambelli foi condenada por unanimidade em maio pelo Supremo a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto com o hacker Walter Delgatti. Com a condenação, ela ficou inelegível por oito anos. Além disso, a Corte determinou a perda automática do mandato.

Mas, diante das tensões entre o Legislativo e o Judiciário sobre medidas cautelares impostas a parlamentares, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu que a Mesa Diretora da Casa não destituiria Zambelli por ofício e nem acionaria o Conselho de Ética. Ao invés disso, instaurou uma representação contra a deputada na CCJ.

Após a captura da parlamentar nos arredores de Roma, Motta declarou ainda que não caberia à Câmara votar a prisão de Carla Zambelli. Isso porque a Constituição prevê essa análise pelo Congresso apenas em caso de prisão em flagrante por crime inafiançável. A condenação de Zambelli já havia transitado em julgado no momento da detenção.

A deputada deixou o Brasil em 24 de maio através da fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR), onde não há controle migratório. De Buenos Aires, foi para a Flórida, nos Estados Unidos, em um voo comercial. No início de junho, embarcou para a Itália, onde se julgava “intocável” por também ter cidadania italiana.

A parlamentar prometia repetir na Europa a campanha de Eduardo Bolsonaro contra o STF. Mas, no mesmo dia em que pisou na Itália, seu nome foi incluído na lista de difusão da Interpol.

O STF já solicitou à Itália a extradição da deputada e, segundo o colunista Lauro Jardim, a Procuradoria do país europeu deve se manifestar até o fim de outubro.

Zambelli também foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio em que a deputada perseguiu um homem com uma arma em punho na véspera do segundo turno da eleição de 2022 em São Paulo.

As imagens viralizaram à época e, após o pleito, Jair Bolsonaro passou a atribuir sua derrota nas urnas à antiga aliada, de quem se afastou. Os ministros do STF, por sua vez, rejeitaram a tese de legítima defesa por parte da parlamentar, uma vez que o agredido, o jornalista Luan Araújo, estava desarmado e tentou fugir da deputada.

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