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Lula reúne rivais históricos em Alagoas em meio à indefinição da disputa eleitoral no estado

Lula reúne rivais históricos em Alagoas em meio à indefinição da disputa eleitoral no estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, nesta sexta-feira, em Alagoas, grupos políticos rivais entre si, mas aliados do governo. Lula participou, em Maceió, de uma entrega de ambulâncias e da celebração de um contrato para a construção de 2 milhões de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.

No primeiro evento, estavam presentes o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), que vai deixar o cargo para disputar novamente o governo estadual, e e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que planeja concorrer ao Senado. Ambos estarão em chapas rivais na eleição. O senador Renan Calheiros, pai do ministro e adversário de Lira, também será candidato ao Senado. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC, que também é cotado para entrar na corrida pelo Palácio República dos Palmares, esteve no ato.

Lira não foi ao segundo evento com Lula. Já Renan Calheiros não participou de nenhum dos dois atos. Ao discursar no evento do Minha Casa, Minha Vida, seu filho, Renan Filho, afirmou que o pai teve um outro compromisso, mas garantiu que ele estará ao lado de Lula na eleição de outubro.


A eventual candidatura do prefeito de Maceió ainda é uma incógnita, já que significaria o rompimento de um acordo político costurado no ano passado, quando JHC se aproximou de Lula durante as negociações para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Embora as partes neguem publicamente a existência de um acordo, aliados de Lula e dos Calheiros afirmam que havia um compromisso do prefeito de não disputar o governo estadual, o que reforçaria o favoritismo de Renan Filho. Também estava prevista, segundo esses interlocutores, a saída de JHC do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro, que governou Alagoas por dois mandatos, aparece empatado com JHC em pesquisas eleitorais recentes. Ainda filiado ao PL, o prefeito é aliado de Lira no plano local, mas essa aliança também enfrenta incertezas. Isso porque passou a ser cogitada a possibilidade de JHC disputar o Senado, o que prejudicaria a candidatura de Lira, atualmente em segundo lugar nas sondagens, atrás de Renan Calheiros.

Outra hipótese aventada nos bastidores é a de que JHC lance a esposa, Marina Candia. Aliados relatam que JHC vem sendo pressionado a cumprir sua parte no suposto acordo. Em dezembro, sua mãe, a senadora Doutora Eudócia (PL-AL), votou a favor do projeto de lei da dosimetria, que reduz penas de condenados pela trama golpista, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o grupo político dos Calheiros, o cenário considerado mais favorável é o de uma candidatura de JHC ao Senado, o que enfraqueceria Lira no pleito estadual. O prefeito e o senador Renan Calheiros se encontraram recentemente em uma reunião reservada em Barra de São Miguel, tradicional balneário alagoano. Na casa de um amigo comum, como noticiou o colunista Lauro Jardim, o senador reiterou cobranças já feitas ao prefeito pelo ex-ministro José Dirceu, no sentido de que cumpra o acordo e não dispute o governo.

Dirceu esteve em Alagoas na semana passada e também conversou com JHC. O prefeito, no entanto, ainda não teria definido seu futuro político.

Reservadamente, uma pessoa a par do assunto afirma que Lira chegou a manifestar à ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no fim de 2025, seu incômodo com uma eventual candidatura de JHC ao Senado. Publicamente, porém, o ex-presidente da Câmara nega ter feito qualquer pedido ao prefeito, que diz considerar integrante de seu grupo político.