O líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra integrantes da Secretaria de Comunicação Social (Secom) pela publicação de campanhas nas redes sociais que defendem propostas legislativas de interesse do Planalto e criticam opositores. No documento, o parlamentar afirmou que o governo tem usado a publicidade institucional para "constranger deputados e senadores que têm deputados e senadores opiniões contrárias" e "mobilizar politicamente os cidadãos em favor das decisões políticas (e não administrativas) dos agentes governantes".
Na representação, Zucco menciona campanhas feitas pelo governo por propostas como a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil. À época, como mostrou o GLOBO, os conteúdos tinham como mote a "taxação BBB", focada no aumento das taxas cobradas para bilionários, bancos e bets. "A tentativa de constrangimento é tamanha que há afirmações de que deputados contrários ao projeto do governo sobre o IR 'protegem os super-ricos' e 'prejudicam milhões de trabalhadores", diz a representação enviada por Zucco. A proposta acabou aprovada na Câmara, em setembro, no Senado, no mês seguinte, e sancionada pelo presidente Lula há duas semanas.
A representação também afirma que há "concentração de postagens nas vésperas e nos dias de votações dos projetos no Congresso". Também foram mencionadas postagens feitas sobre proposições como o fim da escala 6x1, PEC da segurança pública e o PL Antifacção. Na denúncia, são citados o ministro Sidônio Palmeira, a secretária de Estratégias e Redes, Mariah Queiroz Costa Silva, além de outros integrantes em cargos de comando da pasta.
A denúncia também faz menção a uma decisão do TCU em 2019, interrompeu a veiculação de uma campanha do governo, à época comandado por Bolsonaro, para a divulgação do pacote anti-crime. "Passados seis anos, o que foi coibido pelo TCU virou prática iterativa em 2025 no Instagram, demais redes sociais do governo e outros meios de comunicação", disse o documento.
Em nota encaminhada ao GLOBO, a Secom esclareceu que as publicações mencionadas pelo deputado "não fazem promoção pessoal de agentes públicos, não utilizam nomes, imagens ou slogans de autoridades". "O conteúdo apresenta, de forma clara, posicionamentos oficiais do Governo Federal sobre políticas públicas, projetos de lei, vetos, dados orçamentários, impactos sociais e medidas de segurança, temas que são inerentes à atuação estatal e de alto interesse da sociedade", diz o comunicado. O órgão também afirmou que "não há qualquer ataque ou crítica a adversários políticos nas publicações mencionadas" e que "todo o conteúdo é impessoal e institucional, conforme exigido pela Constituição".