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Marina deixa Ministério do Meio Ambiente sem definir se será candidata em São Paulo e se fica na Rede

Marina deixa Ministério do Meio Ambiente sem definir se será candidata em São Paulo e se fica na Rede

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixa o cargo nesta quarta-feira para disputar as eleições em São Paulo, sem ainda ter a definição se será vice na chapa de Fernando Haddad ao governo paulista ou disputar uma vaga no Senado no estado. A ministra usou uma metáfora futebolística para sua definição de partido, ao dizer que a situação “está na fase de prorrogação”.

— Hoje estou filiada à Rede, tenho um partido, somos da Federação Rede-PSOL (...). Não é uma questão de mudar de partido para ser candidata porque (eu) não tenha partido. Eu fundei a Rede, estou na Rede, sou filiada à Rede — disse a ministra, cujo grupo político move na Justiça uma ação contra o grupo da ex-senadora Heloísa Helena, que controla a sigla atualmente.

A titular da pasta do Meio Ambiente afirmou que, por enquanto, espera que a Justiça decida a seu favor na disputa que trava com o grupo político de Heloísa Helena, que atualmente comanda a Rede Sustentabilidade.

Questionada se ainda poderia ser candidata pela Rede, Marina disse: — Essa discussão está em processo, assim, sabe quando você já está indo para aquela fase de decisão em pênaltis? Já está nessa fase, de prorrogação.

Em seu discurso de despedida, Marina afirmou que ainda não decidiu seu futuro eleitoral, mas que está à disposição para “cumprir sua missão”. A ministra afirmou que pode concorrer ao Senado, mas que o tema ainda não está definido. Também ressaltou que recebeu convites para se filiar a partidos como PSB, PCdoB e PDT.

Marina deixa a pasta com um legado de redução do desmatamento, recuperação das operações de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente e a realização da COP30 no Brasil. Por outro lado, a ministra não conseguiu emplacar sua proposta de criar a Autoridade Nacional de Segurança Climática, entidade que coordenaria ações federais para o enfrentamento às mudanças climáticas e incidentes como secas e inundações.

A ministra também se contrapôs à posição de colegas de Esplanada como Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, a favor da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, mas foi posição minoritária no governo.

Marina deixa a pasta com dados positivos em relação ao desmatamento. Em 2025, houve queda de 50% no índice de desmatamento da Amazônia Legal e de 32% do Cerrado, na comparação com os dados de 2022.

Em 2025, a taxa de desmatamento no bioma amazônico foi estimada em 5.796 km², a menor registrada em 11 anos e a terceira menor da série histórica do Inpe. Em 2022, eram 6.518 km². A chamada Amazônia Legal inclui os territórios dos estados de Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso e parte do Tocantins, Goiás e Maranhão.

No Cerrado, também houve queda da taxa de desmatamento em 2025: foram 7.235,27 km², ante 8.174,17 km² no ano anterior. A redução foi de 11% no período e de 32% na comparação com o recorde de desmatamento do bioma, registrado em 2022.

Os dados de agosto de 2025 a janeiro de 2026 mostram novas quedas e a expectativa do ministério é de que a taxa de desmatamento da Amazônia neste ano seja a menor da série histórica, com redução da ordem de 35%.

A ministra ressaltou que os números são "fruto do trabalho" do IBAMA, do ICMBio e da Polícia Federal.

— As fiscalizações do IBAMA na Amazônia cresceram 80% e a área de mineração ilegal foi reduzida em 50% — disse Marina.

A ministra ressaltou ainda a contratação de 1.557 novos servidores em sua gestão e o aumento do orçamento do Ministério do Meio Ambiente durante o terceiro mandato de Lula, que subiu de R$ 865 milhões a R$ 1,9 bilhão.

Parte do desmatamento é atribuída também ao Programa União com Municípios, criado em 2023 pelo MMA para estimular 81 municípios da região amazônica a realizar ações de prevenção, monitoramento, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal no bioma. O programa recebeu a adesão de 70 das cidades e já investiu, segundo a ministra, R$ 815 milhões.

Cidades relevantes na região, no entanto, não aderiram ao programa formatado pela gestão de Marina, como Manaus e Guarantã do Norte (MT).

No financiamento climático, Marina mencionou o Fundo Clima, gerido pelo BNDES, que financia projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas no país e que, segundo o MMA, mobilizou 52,4 bilhões desde 2023, dos quais R$ 34,6 bilhões em 2025.

Outra iniciativa que Marina capitaneou é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado oficialmente na COP30 e uma das bandeiras do governo Lula. O fundo tem financiamento multinacional e visa financiar a conservação e a restauração de florestas tropicais nos países em desenvolvimento.

A iniciativa já obteve US$ 6,7 bilhões e tem o apoio de 63 países, segundo Marina. A ambição da COP30, no entanto, era mobilizar US$ 1,3 trilhão para financiar medidas de mitigação das mudanças climáticas por ano até 2035.

Foz do Amazonas

Na gestão de Marina, o Ibama concedeu licença à Petrobras para a perfuração de um poço exploratório localizado em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira. A ministra tem ressaltado que o processo de concessão da licença foi técnico e não cedeu a pressões políticas.

Sobre a concessão de licenças a novos projetos de exploração de petróleo, Marina defendeu publicamente que o processo não tivesse interferências políticas e fosse pautado exclusivamente por critérios técnicos.

Marina transmite o cargo a João Paulo Capobianco, homem de confiança da ministra há décadas e seu atual secretário executivo. A gestão seguirá na linha de continuidade, disse.

Biólogo, Capobianco é biólogo de formação e aliado histórico de Marina Silva.