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'Melhor que a PF, mas não basta': aliados de Bolsonaro cobram domiciliar após Moraes mandar Bolsonaro para 'Papudinha'

'Melhor que a PF, mas não basta': aliados de Bolsonaro cobram domiciliar após Moraes mandar Bolsonaro para 'Papudinha'

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiram nesta quinta-feira à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-chefe do Executivo para uma sala no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como “Papudinha”. O entorno bolsonarista reconhece que a mudança representa melhora em relação à permanência na Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro estava desde novembro, mas ainda é tratada como insuficiente diante do quadro de saúde do ex-presidente — motivo pelo qual aliados reforçaram a pressão por prisão domiciliar.

O filho 02 do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, criticou o magistrado logo após a decisão. “Aliados do PT já praticaram atos muito mais graves e nada lhes aconteceu. Ainda assim, condenar Jair Bolsonaro representa o maior dos absurdos”, escreveu em rede social.

Ao GLOBO, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) voltou a atacar Moraes e disse que, embora a transferência represente uma melhora nas condições de custódia, o local ainda não atende ao que o grupo considera necessário diante do quadro clínico do ex-presidente.

— A Papudinha não é o ideal porque, pelas condições de saúde dele, ele precisa da prisão domiciliar — afirmou o parlamentar.

Na mesma linha, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) disse que a mudança ameniza parte das reclamações, mas reforçou que a expectativa era de que Moraes autorizasse Bolsonaro a cumprir a pena em casa, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor.

— Queríamos a transferência dele para a sua casa. Prisão domiciliar como foi dado ao ex-presidente Collor. Mas a transferência para a Papudinha já melhora um pouco, por conta do espaço, e o atendimento médico conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes — disse Feliciano.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada do bolsonarismo e amiga próxima de Michelle Bolsonaro, classificou o despacho como “absurdo” e também reforçou que, para ela, o ex-presidente deveria deixar o sistema de custódia.

— Decisão absurda. Ele precisa ir para casa — afirmou.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também criticou a medida e disse ver motivação política na transferência.

— A transferência de um ex-presidente para penitenciária, por decisão isolada, é punição política, vingança travestida de legalidade e demonstração de força de quem já não reconhece limites — declarou.

O deputado Bibo Nunes (PL-RS) foi na mesma direção e afirmou que Moraes usa o caso para perseguir Bolsonaro, além de reiterar o pedido de prisão domiciliar. Segundo ele, deputados e senadores chegaram a aprovar uma moção em defesa da mudança de regime.

— Foi mais uma demonstração do ódio, da raiva, da vingança que ele tem com Bolsonaro. Quando todos sabem que ele precisa de prisão domiciliar, onde nós, deputados e senadores, fizemos uma moção pedindo para que simplesmente coloquem ele em prisão domiciliar, ele vem colocar no presídio, porque a Papudinha faz parte do complexo Papuda. É lamentável e mostra mais uma vez o ódio que Moraes tem por Bolsonaro. Ele, aliás, não deveria nem estar mexendo em qualquer processo ou julgamento envolvendo o ex-presidente — disse.

Família vê com bons olhos

Sob reserva, o entorno da família reconhece que a decisão de Moraes é benéfica ao ex-presidente, uma vez que a sala na Papudinha é cinco vezes maior e as instalações oferecem melhor atendimento médico. Os familiares também poderão visitá-lo por três horas consecutivas, segundo despacho do ministro. Na sede da Polícia Federal, a família vinha reclamando do barulho do ar-condicionado central e do tamanho da cela.

Em seu perfil no X, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a escrever que “aparentemente” as instalações seriam melhores, sem barulho e com suporte médico 24 horas por dia.

Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão da PM-DF, onde já estão presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O local ganhou o apelido de “Papudinha” por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.

No mesmo despacho, Moraes também determinou que Bolsonaro passe por exame médico feito por peritos da PF. A avaliação deverá atestar seu estado clínico e a “necessidade de transferência para o hospital penitenciário”. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pelo STF, por tentativa de golpe de Estado.

Nos bastidores, parlamentares do PL têm tratado a transferência como uma “vitória parcial” na disputa em torno das condições de custódia, mas insistem que a medida não responde à principal demanda do grupo: a concessão de prisão domiciliar. O diagnóstico político no entorno do ex-presidente é de que a discussão sobre saúde seguirá como eixo central da estratégia de pressão, ampliando o confronto público com Moraes.