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Messias tenta encontro com Pacheco por apoio ao STF, mas senador resiste em meio à crise entre Planalto e Alcolumbre

Messias tenta encontro com Pacheco por apoio ao STF, mas senador resiste em meio à crise entre Planalto e Alcolumbre

No périplo por apoios no Senado para chegar ao Supremo Tribunal Federal, o ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) pediu um encontro com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o preferido da Casa para a vaga de Luís Roberto Barroso e preterido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida por uma vaga na Corte.

O advogado-geral da União (AGU) aguarda um retorno de Pacheco para formalizar a reunião. Messias tem como meta de conversar com 81 senadores até a data da sua sabatina, marcada para 10 de dezembro, mas vem encontrando um cenário de dificuldades.

A expectativa é que um encontro entre Pacheco e Messias ocorra apenas quando a tensão entre Planalto e Senado arrefecer. Nome favorito de Alcolumbre ao STF, Pacheco deve aguardar uma sinalização do presidente do Senado para então dar aval para receber Messias. O próprio presidente do Senado ainda não se encontrou com Messias nem tem se manifestado sobre as tentativas de contato desde que sua indicação foi comunicada por Lula, em 20 de novembro.

Messias tem se deparado com um campo minado no seu roteiro pelo Senado. Nesta terça-feira, também a pedido de Messias, haveria um almoço com integrantes do bloco parlamentar 'Vanguarda', formado pelos 16 parlamentares do PL e do Partido Novo. A agenda, no entanto, foi desmarcada.

As dificuldades de Messias no Senado refletem a tensão entre Davi Alcolumbre e o Planalto, que foi ampliada desde a indicação do AGU ao STF e que ganhou contornos mais graves no final de semana quando o senador acusou “setores do Executivo” de tentar associar dificuldades de apoio no Congresso à negociação de cargos. Em uma nota divulgada no domingo, Alcolumbre citou que há interferência indevida no processo envolvendo a análise da indicação de Messias ao STF e afirmou considerar as insinuações ofensivas “não apenas ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”.

O nível de crise chegou ao ponto que aliados do ministro Jorge Messias afirmam que apenas a interferência direta de Lula poderá reverter o quadro. Lula tem cuidado pessoalmente do assunto. Na segunda-feira, o presidente almoçou com senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação de Jorge Messias ao STF. Os dois almoçaram no Palácio do Planalto, em um compromisso que não consta da agenda do chefe do Executivo. No entorno presidencial, a avaliação é de que apenas uma conversa entre o presidente Lula e Alcolumbre será capaz de virar o jogo.

  • Brasília