Um dos 17 irmãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, foi alvo de onze requerimentos nesta quinta-feira na CPI do INSS. Os parlamentares apresentaram pedidos para que ele, que é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), citado em relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre possíveis fraudes, prestasse depoimento na comissão. Os pedidos, no entanto, foram todos rejeitados na votação do colegiados.
Metalúrgico aposentado, o pernambucano Frei Chico, hoje com 83 anos, iniciou sua trajetória no movimento sindical por volta de 1964, quando se mudou para o ABC Paulista. Frei Chico atua no Sindnapi, cujos endereços foram alvos de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas diferente de outros dirigentes do Sindnapi, ele não é citado no inquérito.
O sindicalista faz parte do grupo de sete irmãos de Lula filhos de Dona Lindu e Seu Aristides, pais do presidente. São eles: José, conhecido como Zé Cuia, Jaime, Marinete, Genival, chamado de Vavá, Maria e Ruth. O petista tem ainda outros dez irmãos que são filhos de seu pai com a segunda esposa.
A blindagem a Frei Chico era uma das prioridades para os governistas que integram a CPI e a votação da convocação dele "em bloco" quebra um acordo alinhavado no início dos trabalhos do colegiado. Na ocasião, ficou pactuado que a votação de requerimentos em bloco na comissão só aconteceria se houvesse consenso sobre todos os nomes analisados. Ao todo, 19 parlamentares votaram contra a convocação, enquanto 11 foram a favor.
Com os mesmos votos dos governistas, a CPI também rejeitou as quebras de sigilo da publicitária Danielle Miranda Fonteles e da sua empresa. Ela recebeu R$ 5 milhões do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o "careca do INSS", entre novembro de 2023 e março de 2025.