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Michel Temer afirma que escola de samba que homenageou Lula trocou crítica social por 'bajulação na Sapucaí'

Michel Temer afirma que escola de samba que homenageou Lula trocou crítica social por 'bajulação na Sapucaí'

O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou nota nesta segunda-feira em que critica a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que trouxe enredo homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Temer, a agremiação deixou de lado a crítica social e fez "bajulação na Sapucaí".

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Temer também não gostou da forma como foi retratado. A escola, que foi a primeira a desfilar no Grupo Especial no Rio de Janeiro, na noite de domingo (15) levou à Marquês de Sapucaí um carro alegórico em que um integrante aparece caracterizado como o ex-presidente e "arranca" a faixa presidencial de Dilma Rousseff e a coloca em si mesmo. A ex-presidente foi alvo de impeachment pelo Congresso em 2016, e perdeu o mandato. Temer era seu vice na época e assumiu a presidência

Temer afirmou no texto que "como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí".

Ilusionismo na Esplanada

Mas disse que o problema é quando "adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado", alfinetou o ex-presidente, que promoveu essas reformas em seu mandato, que teve duração de 31 de agosto de 2016 a 31 de dezembro de 2018.

A nota de Temer tem o título "Saudades da Tuiuti", que se refere à escola de samba Paraíso do Tuiuti, que em 2018, levou à Sapucaí o enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, que fazia críticas à reforma trabalhista promovidada pelo ex-presidente. Temer foi retratado pela agremiação como um vampiro.

Tanto o presidente Lula como outros integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT), entre eles o deputado federal Lindbergh Farias, já afirmaram que o ex-presidente Michel Temer participou de uma "articulação" com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para dar um golpe contra Dilma e tirá-la da presidência.

O desfile da Acadêmicos de Niterói também provocou reação da oposição. Nesta segunda-feira, o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do petista. A alegação é a de que o PT utilizou dinheiro público para fazer campanha antecipada durante o carnaval.

Na última quinta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para que o desfile da Acadêmicos de Niterói não ocorresse por configurar de propaganda eleitoral antecipada. Os ministros da Corte afirmaram que a proibição antes de o desfile ocorrer configuraria censura prévia, mas ressaltaram que poderá haver punição futura caso ocorram ilícitos eleitorais na avenida.

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Especialistas ouvidos pelo GLOBO divergem sobre a ocorrência de ilicitude na Sapucaí na noite de domingo. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, Fernando Neisser, avaliou que não houve qualquer ilegalidade eleitoral no desfile. Já o advogado eleitoral Guilherme Barcelos entende que a propaganda eleitoral antecipada “está configurada” no samba-enredo e o desfile foi como a “cereja do bolo”, cuja pena é de multa.

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