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Ministros do STF veem risco de baixa adesão como motivo para Fachin adiar almoço sobre Código de Conduta

Ministros do STF veem risco de baixa adesão como motivo para Fachin adiar almoço sobre Código de Conduta

Após o adiamento pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) do almoço marcado para debater, entre outros temas, o Código de Conduta para ministros, integrantes da Corte avaliam que a alteração da data teve como motivação um risco de baixa adesão dos membros do tribunal.

Além disso, ministros ouvidos pelo GLOBO dizem que o debate sobre o código está desgastado, e que não haveria clima para tratar do assunto uma vez que a ministra Cármen Lúcia já foi anunciada como relatora da medida. Para esses ministros, a discussão deve ocorrer quando tiver alguma indicação mais concreta da presidência e da relatora sobre o que será feito.

Ainda segundo integrantes da Corte relataram reservadamente à reportagem, a decisão de colocar Cármen Lúcia como relatora não ajudou a amenizar as resistências externadas pelos ministros com a condução de Fachin em torno do tema do Código de Conduta.

Entre as críticas feitas por uma ala de integrantes está a percepção de que mesmo ministros que agem corretamente, respeitando os princípios da magistratura, viraram alvos de recados sobre autocontenção que acabam generalizando os comportamentos.

Segundo relatos feitos ao GLOBO, o risco de um quórum reduzido para o almoço-reunião marcado por Fachin era real justamente em face desses incômodos gerados pelo discurso do presidente na última segunda-feira, quando houve a sessão de abertura do ano do Judiciário.

Na ocasião, Fachin reconheceu o papel do Judiciário em defesa da democracia e disse que “o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção”. Esse discurso dividiu magistrados do STF e gerou dúvidas sobre o objetivo que o presidente da Corte queria atingir.

Na quarta-feira, durante a sessão de julgamentos, o mal estar com o discurso de Fachin foi externado por uma reação dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As falas ocorreram durante julgamento em que o STF discute os limites ao uso de redes sociais por magistrados, Moraes defendeu a validade das regras editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O ministro disse ainda que há “notícias fraudulentas repetidas” sobre supostos privilégios ou liberdades da magistratura. Ao tratar do assunto, criticou o que chamou de "demonização das palestras" realizadas por ministros.

— Um magistrado, seja de primeira instância, seja ministro, está impedido de julgar qualquer causa que tenha como parte seus familiares. Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações quanto a magistratura — declarou. — A magistratura não pode fazer mais nada além do magistério e das palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades.

O ministro defendeu ainda o direito de juízes serem acionistas de empresas sem que isso possa representar um desvio de conduta, em outra declaração vista como uma antecipação do debate sobre o código de ética.