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Ministros do TSE avaliam plenário dividido sobre pedido de cassação de Cláudio Castro

Ministros do TSE avaliam plenário dividido sobre pedido de cassação de Cláudio Castro

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que o julgamento que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deve dividir o plenário da Corte e resultar em um placar apertado. No Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), em 2024, Castro foi absolvido por quatro votos a três. O chefe do Executivo setadual nega irregularidades e alega que não há provas para condená-lo.

O caso começou a ser julgado na terça-feira, mas foi paralisado após o pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira. A relatora das ações, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação do governador por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. 

Em seu voto, ela acatou o argumento do Ministério Público Eleitoral (MPE) de que a destinação de recursos do governo estadual ao Centro de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) teve finalidade eleitoral e desequilibrou o pleito que reelegeu Castro.

Apesar da posição da ministra favorável à cassação, interlocutores no TSE avaliam que o desfecho está longe de ser previsível. Ministros ouvidos reservadamente indicam que há espaço para divergências, especialmente em relação à caracterização do abuso de poder econômico. 

O fator político também pesa, segundo esses integrantes da Corte: a avaliação no tribunal é que o caso é delicado, por envolver um chefe de governo de um dos maiores colégios eleitorais do país, e pelo momento em que o caso começou a ser analisado — logo após a megaoperação policial que deixou 121 pessoas mortas no Rio. 

Há também a ponderação feita por alguns ministros sobre uma eventual cassação contra um governador que está em final de mandato. 

Na corte regional, o governador escapou da cassação por apenas um voto, com quatro magistrados entendendo que não houve gravidade suficiente para comprometer a legitimidade do pleito. 

Agora, no TSE, a tendência é que a divisão se repita, com ministros mais garantistas inclinados a manter o mandato e outros defendendo uma resposta firme contra práticas que consideram abusivas.

Além de Gallotti, que já votou, e Antônio Carlos, que pediu vista, participam do julgamento a presidente da Corte, Cármen Lúcia, e os ministros André Mendonça, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha. 

Nunes Marques e André Mendonça foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, mesmo partido de Castro.

Entenda o caso

A Procuradoria-Geral Eleitoral  (PGE) pede a cassação de Castro por suposto uso da Fundação Ceperj e da Uerj para contratação de cabos eleitorais, favorecendo sua reeleição e desequilibrando a disputa de 2022. Na sustentação feita ao TSE na terça-feira, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Barbosa disse que os recursos direcionados a essas instituições ultrapassaram o patamar de R$ 500 milhões às vésperas da campanha.

Após a manifestação da relatora, o governador afirmou, em nota, que "confia" na "verdade dos fatos" e que a "correção do processo" será reconhecida.

"Não surgiu qualquer elemento novo que justifique a revisão das decisões já analisadas e confirmadas em duas instâncias. O governador reafirma o seu compromisso com os mais de cinco milhões de fluminenses que lhe confiaram o voto e segue dedicado à gestão do Estado do Rio de Janeiro, com foco na segurança pública, no crescimento econômico e na melhoria da qualidade de vida da população".

Em caso de cassação, quem assume o governo é o presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, até a realização de eleições suplementares.

A lei prevê duas hipóteses no caso de cassação de governadores. Caso ocorra a menos de seis meses do fim do mandato, a nova eleição será indireta, com voto dos deputados estaduais. Fora desse prazo, a eleição será direta.