O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou nesta quarta-feira provas apresentadas pelo advogado de um dos nove réus do “núcleo três” da trama golpista, formado por integrantes das forças de segurança, incluindo os "kids pretos", grupo de elite do Exército. O julgamento ocorre na Primeira Turma da Corte.
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Durante a sustentação oral do advogado Jeffrey Chiquini, que faz a defesa do tenente-coronel do Exército Rodrigo Bezerra de Azevedo, Moraes questionou o motivo pelo qual o defensor apresentava fotos do cliente na véspera do plano de sequestro e assassinato do magistrado, mas não da data específica, dia 15 de dezembro de 2022. Azevedo é o único réu presente durante o julgamento.
— O senhor juntou foto de um dia antes do aniversário, jantando com os amigos. O senhor não teria uma foto do dia do aniversário dele? Porque todos nós tiramos foto no dia do nosso aniversário — questionou o ministro.
O advogado, por sua vez, afirmou que a fotos foram tiradas do próprio celular do réu, que foi apreendido pela PF. Moraes, então, questionou:
— Não haveria nenhuma foto no celular da mulher?
Chiquini pediu, então, para que fosse fornecido o laudo completo do celular do réu.
— Eu não tenho o laudo. Estou buscando a prova diabólica. Que processo é esse? O delegado [da PF] tem o telefone do réu nas mãos. Isso não aconteceu nem na Lava Jato. Cadê o laudo do celular dele — questionou o advogado.

Conforme investigação, Azevedo participou na data da ação clandestina que tinha o objetivo de prender e executar o ministro Moraes. O inquérito aponta que um dos telefones usados na operação, intitulada "Copa 2022", foi vinculado ao terminal telefônico cadastrado no nome do militar 14 dias após a ação.
Azevedo, entretanto, alegou que não estava com o aparelho até o dia 29 de dezembro, e que o encontrou em uma caixa cheia de celulares antigos usado para missões em um departamento do Comando de Operações Especiais do Exército, em Goiânia, onde fica o batalhão dos “kids pretos”.