IMPOSTO DE RENDA 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmaram nesta terça-feira ter se encontrado, como revelado pela colunista do GLOBO Malu Gaspar, para tratar dos efeitos da Lei Magnitsky.
- Após recesso: Senador diz que colherá assinaturas para investigar relação de Moraes com o Master
- Em crise: Correios têm pior índice no ano de entregas no prazo às vésperas do Natal
O ministro, no entanto, não mencionou em nota ter tratado do caso do Banco Master, que foi liquidado pelo BC diante de suspeitas de fraudes nem o contrato da instituição financeira com sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes.
O Banco Central confirmou em nota que "manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”.Nas notas, Moraes e Galípolo não mencionam as ligações telefônicas.
Moraes e a mulher foram alvos de sanções financeiras, em medida posteriormente revogada pelo governo dos Estados Unidos.
Mais Sobre Alexandre de Moraes
Moraes determina abertura de inquérito para investigar suspeita de calúnia de Flávio Bolsonaro contra Lula
Ministros do STF esperam que PGR apure eventual abuso de poder na cúpula da CPI do Crime Organizado
O ministro afirmou que teve encontros semelhantes com dirigentes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e dirigentes das principais instituições financeiras do país para tratar "sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito".
- Malu Gaspar: O valor milionário do contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o enrolado Banco Master
Como mostrou a colunista Malu Gaspar, Moraes procurou Galípolo pelo menos quatro vezes para tratar do caso do Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez houve um encontro presencial.
Os relatos sobre as conversas foram feitos por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.
Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.
Veja fotos da mansão de Daniel Vorcaro em Miami

1 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

2 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

3 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

4 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

5 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

6 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

7 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

8 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

9 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

10 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação

11 de 11
Mansão de Daniel Vorcaro foi adquirida por R$ 460 milhões — Foto: Divulgação
Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.
- Fabio Graner: Bancos tentam elevar teto de juros do Desenrola para pequenas empresas, que está em discussão no governo
Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia.
Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.
Conforme a colunista Malu Gaspar já havia revelado anteriormente, o escritório de Viviane Barci de Moraes tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia cerca de R$ 130 milhões no total.
O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.
Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.
Em novembro, Vorcaro foi preso pela PF no curso do inquérito que apura as supostas fraudes. Ele ficou 12 dias detido até ser liberado. Posteriormente, a investigação foi transferida para o STF, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
Leia a nota de Moraes na íntegra
"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito."
Leia a íntegra da nota do Banco Central
"O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky."