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Moraes manda PGR analisar dados de Wassef após pedido de arquivamento de inquérito sobre desvio das joias por Bolsonaro

Moraes manda PGR analisar dados de Wassef após pedido de arquivamento de inquérito sobre desvio das joias por Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio à Procuradoria-Geral da República (PGR) de novos elementos reunidos pela Polícia Federal no inquérito que apura o desvio de joias e presentes recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em viagens oficiais. No início do mês, a PGR havia pedido o arquivamento do inquérito.

A decisão foi tomada após a PF encaminhar, neste mês, uma análise complementar de dados obtidos a partir de aparelhos celulares apreendidos com o advogado Frederick Wassef. Segundo a corporação, o material revelou “eventos fortuitos” que precisam ser apurados em procedimento separado.

Ao remeter os autos novamente à PGR, Moraes destacou que o órgão ainda não se manifestou especificamente sobre esse novo conteúdo. "Não houve manifestação ministerial quanto ao citado material encaminhado pela Polícia Federal", registrou o ministro ao determinar nova análise.

As novas informações sobre Wassef foram encaminhadas ao STF no último dia 4, mesmo dia em que a PGR pediu o arquivamento do inquérito das joias. O chefe do Ministéiro Público Federal, Paulo Gonet, argumentou que não há lei que trata da destinação de presentes recebidos por presidentes da República de autoridades estrangeiras e assim não é possível denunciar Bolsonaro e seus aliados por crime de peculato.

Segundo o PGR, a análise dos fatos descritos pela Polícia Federal “não põe em dúvida que os fatos ocorreram com os protagonistas apontados”. No entanto, Gonet entendeu que não é possível denunciar Bolsonaro e os demais indiciados por uma questão de “adequação penal” das condutas.

O procurador-geral anotou ainda que mesmo os “esforços” dos investigados para que os bens de luxo fossem vendidos “não configuram atitudes expressivas do cometimento do crime”.

A investigação da Pol´cia Federal, que levou ao indiciamento de Bolsonaro, aponta que os itens — incluindo joias de alto valor e relógios de luxo — teriam sido desviados do acervo público e posteriormente vendidos no exterior.

Entre os episódios citados estão a apropriação de esculturas douradas recebidas de autoridades estrangeiras, o desvio de kits de joias da marca Chopard e de um relógio Patek Philippe, além de tentativas de incorporação irregular de presentes ao patrimônio pessoa.

Neste caso, Wassef havia sido indiciado por associação criminosa e por lavagem de dinheiro com a "ocultação da localização e movimentação" das joias do 'kit ouro branco' que havia sido presenteado a Bolsonaro.

Com o envio do novo material, caberá à PGR decidir se mantém o pedido de arquivamento ou se vê elementos para dar continuidade às apurações, ao menos no que diz respeito aos dados envolvendo Wassef.