O cardiologista Brasil Caiado, que integra a equipe responsável pelo atendimento de Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira que o ex-presidente apresenta uma “melhora parcial e progressiva” do quadro pulmonar. Segundo o médico, a evolução tem sido lenta, mas contínua, com resposta ao tratamento.
— É uma melhora parcial, com evolução mais evidente no lado direito do pulmão. O lado esquerdo ainda apresenta comprometimento moderado. A evolução é lenta, mas contínua. Ele está apreensivo, sentiu o peso da infecção, mas o resultado até aqui é positivo e a tendência é de melhora — disse.
Caiado também descreveu o estado emocional do ex-mandatário, relatando que ele tem se mostrado apreensivo diante da gravidade do quadro, especialmente pelos episódios recentes de cansaço e falta de ar.
— Houve um momento de maior apreensão, pelo desgaste e pela dificuldade respiratória. Mas, desde então, a evolução tem sido progressiva e dentro do esperado — afirmou.
O cardiologista reforçou ainda o argumento da defesa para que o ex-presidente passe a cumprir o restante da pena em prisão domiciliar. Segundo ele, o quadro clínico inspira cuidados e exige acompanhamento contínuo, o que, na avaliação da equipe, sustentaria o pedido por razões humanitárias.
O quadro clínico já havia sido descrito no boletim médico divulgado na terça-feira. Bolsonaro segue internado em uma ala semi-intensiva do hospital DF Star, em Brasília. De acordo com o documento, houve nova queda nos marcadores inflamatórios, o que indica resposta ao tratamento, e o quadro é considerado estável, sob monitoramento contínuo.
No boletim, a equipe médica informa que o ex-presidente “manteve melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, com nova redução dos marcadores inflamatórios” e que ele “segue em antibioticoterapia endovenosa, com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”.
Bolsonaro foi transferido na tarde de segunda-feira para uma acomodação dentro da unidade semi-intensiva considerada mais adequada ao estágio atual do tratamento.
Ele está internado desde sexta-feira, após passar mal durante a madrugada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre prisão. Deu entrada no hospital com febre, vômitos e baixa saturação de oxigênio.
Segundo os médicos, o diagnóstico é de pneumonia bacteriana bilateral causada por broncoaspiração. No boletim anterior, divulgado no domingo, havia registro de estabilidade clínica, mas com elevação dos marcadores inflamatórios, o que levou à ampliação da cobertura antibiótica. A melhora observada desde então é interpretada como sinal de evolução favorável.
Nos bastidores, aliados avaliam que a recuperação clínica pode ser usada pela defesa para reforçar um eventual pedido de prisão domiciliar ao Supremo Tribunal Federal, sob argumento humanitário. Como mostrou o GLOBO, interlocutores do ex-presidente intensificaram nos últimos dias contatos com ministros da Corte.
O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, esteve na terça-feira com o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, descreveu o quadro de seu pai e solicitou que ele pudesse cumprir o restante da pena em casa.