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'O Rio de Janeiro virou Gotham City', diz advogado do PSD em julgamento no STF que definirá se eleição no Rio será direta ou indireta

'O Rio de Janeiro virou Gotham City', diz advogado do PSD em julgamento no STF que definirá se eleição no Rio será direta ou indireta

O advogado do PSD, Thiago Fernandes Boverio, comparou o Rio de Janeiro a Gotham City e disse que, caso seja realizada a eleição indireta para o mandato-tampão, "é mais fácil eleger o Coringa que o Batman". A fala foi feita durante a sustentação oral dele no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá como será a escolha do próximo governador do estado.

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— Acredito que o Rio de Janeiro virou Gotham City. Se for realizada a eleição indireta, é mais fácil eleger o Coringa do que o Batman. A situação é complicada, excelências — disse o advogado.

Iniciado na tarde desta quarta-feira, o julgamento tem como ponto central a discussão sobre os efeitos da renúncia do ex-governador Cláudio Castro e deve ser marcado por uma série de recados, nos moldes do que ocorreu quando da condenação do ex-mandatário pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como mostrou o GLOBO, a maior expectativa do julgamento gira em torno do voto de três ministros — Luiz Fux, relator de uma das ações em pauta e um dos primeiros a se manifestar do julgamento; Dias Toffoli; e Edson Fachin, presidente da Corte. Antes, outros quatro ministros, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, já defenderam as eleições diretas.

Entenda as divergências

O que deve dividir as interpretações no Supremo é o porquê de os cargos de governador e vice terem ficado vagos ao mesmo tempo: se são razões eleitorais — a condenação pelo TSE — ou não. Tais razões implicam na condução da eleição no estado.

O ministro Alexandre de Moraes abordou tal diferença quando as eleições do Rio começaram a ser debatidas pelo STF, ainda em julgamento virtual sobre as regras das eleições indiretas.

O caso foi levado à sessão plenária presencial do STF, a pedido de Zanin, justamente em razão do debate sobre a forma do pleito, se diretas ou não.

Na ocasião, ao defender as eleições diretas, Moraes reconheceu a renúncia de Castro, mas apontou "desvio de finalidade" na mesma. O ministro destacou que, no caso do Rio, o vácuo no Executivo é resultado da condenação eleitoral, não devendo ser aplicada a regra da eleição indireta, da lei estadual, mas sim a previsão do Código Eleitoral, com a determinação do pleito com voto popular.

No voto, Moraes fez inúmeras críticas à renúncia de Castro, afirmando, por exemplo, que não há "explicação idônea" para o ato.

Nos bastidores, é atribuído certo peso à corrente que defende a eleição direta justamente pela manifestação. Além disso, outros ministros juntaram-se ao coro, como Zanin. Este classificou a renúncia como "mecanismo de burla à autoridade da Justiça Eleitoral".

Assim, a expectativa é a de que, no julgamento desta tarde, os magistrados reforcem os recados, nos moldes do que ocorreu quando Castro foi condenado no TSE. Naquela ocasião, a ministra Cármen Lúcia, por exemplo, criticou "continuados casos em que governantes do Rio saem dos cargos na véspera de julgamentos sobre práticas absolutamente contrárias à Constituição".