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Overclean: deputado Félix Mendonça é alvo de operação da PF para investigar desvio de emendas parlamentares

Overclean: deputado Félix Mendonça é alvo de operação da PF para investigar desvio de emendas parlamentares

A Polícia Federal realiza, nesta terça-feira, a nona fase da Operação Overclean, que apura desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) é um dos alvos de mandado de busca e apreensão, cumprido em seu apartamento funcional, em Brasília.

A operação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

No ano passado, o deputado já foi alvo de uma decisão do STF, que autorizou a quebra do sigilo telefônico dele no âmbito da investigação. Na época, um assessor parlamentar que atua em seu gabinete desde o início do mandato também foi alvo da PF em uma das fases da operação.

Em nota divulgada após a ação, Félix Mendonça Júnior afirmou ter recebido a nova diligência “com surpresa” e disse ver “estranhamento” na medida, sustentando que não há fatos novos que justifiquem a iniciativa. O deputado argumentou que já havia sido alvo de uma operação semelhante em junho de 2025, com o mesmo objetivo, e que, desde então, não teria sido encontrado “qualquer elemento” contra ele. “Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento”, diz o texto.

O parlamentar também negou irregularidades na destinação de emendas e afirmou que sua atuação “sempre se limitou” à apresentação dos repasses para municípios da Bahia, sem interferência na execução. Segundo ele, nunca houve negociação de emendas, indicação de empresas ou atuação como ordenador de despesas. Na manifestação, Félix criticou ainda a lentidão das apurações e disse que investigações prolongadas impactam a reputação de agentes públicos em ano eleitoral.

Félix Mendonça é deputado federal desde 2011. Atualmente, integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e o Grupo de Trabalho sobre Proteção de Crianças e Adolescentes em Ambiente Digital. Na última eleição, em 2022, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 3 milhões.

A oitava fase da operação foi realizada em outubro e teve entre os alvos o secretário nacional do Podemos, Luiz França. Em nota, na época, o partido afirmou que não possui relação com a operação e que apoia toda e qualquer investigação. “Pelas informações obtidas até o momento, a ação de hoje diz respeito à atuação profissional como advogado de Luiz França, com sua consultoria jurídica”, pontuou.

No mesmo mês, a PF cumpriu mandado contra o deputado federal Dal Barreto (União-BA). No ano passado, o irmão do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso (BA), foi um dos alvos de uma das fases da operação. O primo dele também, Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento (União Brasil), eleito vereador de Campo Formoso em 2024. Elmar não foi alvo.

Overclean

A PF estima que a organização criminosa investigada tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. Outro alvo da operação foi o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.

A investigação Overclean começou para apurar desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e mirou na atuação de Moura junto a políticos para destravar negócios públicos. A organização é suspeita de pagar propina a agentes públicos para obter contratos em todo o país.

Conhecido como “Rei do Lixo” devido aos contratos firmados na área de limpeza urbana na Bahia, Moura foi preso preventivamente, junto com outras 16 pessoas, na primeira fase da operação, mas depois foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a polícia, ele atuou como “articulador político e operador de influência” na organização.