O Partido dos Trabalhadores (PT) promete à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que ela será uma “prioridade” caso opte por filiar-se à sigla para concorrer ao Senado por São Paulo em outubro. A chegada da ambientalista, cujo futuro político ainda é indefinido, é apoiada por nomes petistas como o presidente nacional do partido, Edinho Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da frente ambiental na Câmara, deputado Nilto Tatto.
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O clima nos bastidores da legenda é de confiança na filiação de Marina. Interlocutores do partido afirmam ao GLOBO que, apesar de um acordo não ter sido fechado, já há “quase um casamento” entre o PT e a ministra. Aliados da ambientalista apontam que ela deve deixar a Rede Sustentabilidade após mudanças estruturais na legenda tornarem a saída dela “inevitável”. Outras siglas como PSB, PV, PSOL e PDT também demonstram interesse em filiá-la.
— As conversas com a ministra avançaram e estamos confiantes na filiação de Marina. É uma boa candidata — afirma o deputado federal Jilmar Tatto, vice-presidente nacional do PT.
O PT deseja repetir em São Paulo a estratégia costurada no Paraná, com uma ministra na corrida pelo Senado como modo de fortalecer a presença da sigla no Legislativo e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A configuração da chapa paulista, no entanto, depende da definição do futuro político de Haddad, que, apesar de cotado para disputar o governo estadual, afirma não querer ser candidato.
— Marina é a maior expressão do socioambientalismo. Ela simboliza, pela sua história e pelas posições que tem defendido, os desafios que temos de enfrentar a crise climática e ao mesmo tempo a desigualdade social e econômica. No PT, ela com certeza vai ajudar e ter um instrumento para maior incidência na sociedade sobre esses desafios da agenda ambiental e que é também uma agenda de oportunidades para o Brasil — defende Nilto Tatto.
Eleita deputada federal em 2022, Marina descarta disputar uma vaga na Câmara este ano. A reportagem apurou ser “pouco provável” que a ministra vá às urnas caso Haddad seja também candidato ao Senado. Com isso, a avaliação no PT é que, até uma definição final do ministro da Fazenda, o cenário sobre uma candidatura da ambientalista permanece aberto.
Caso deseje ser candidata, Marina deve deixar a pasta ambiental até abril. A tendência é que o número dois, o secretário-executivo, João Paulo Capobianco, assuma o posto no ministério, mas uma decisão ainda não foi discutida com o presidente.
Condições para candidatura
Marina afirma a aliados que uma eventual candidatura neste ano só existiria caso respeitasse três requisitos: apoio à reeleição de Lula, construção coletiva e fortalecimento de uma frente ampla, sobretudo em São Paulo, e o fomento à agenda verde. Segundo interlocutores, a definição de uma candidatura ao Senado também “passa por uma redefinição partidária”.
Nesta quinta-feira, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, se reuniu com Marina em Brasília. A psolista reforçou o convite para Marina se filiar à sigla e concorrer ao Senado por São Paulo. Marina agradeceu ao convite e afirmou querer cumprir o papel de reforçar o campo progressista na disputa eleitoral deste ano, sem definir uma resposta.
A saída de Marina da Rede está prevista para ocorrer nos primeiros meses deste ano. Aliados da ministra publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla. Eles criticam mudanças no estatuto partidário e afirmam haver uma perseguição interna contra a ambientalista.
O tensionamento da relação de Marina com a sigla se aprofundou em abril do ano passado com a derrota do candidato da ambientalista para o apoiado pela deputada federal Heloísa Helena, rompida com a ministra desde 2022.
Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e optou por integrar a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.
- Edinho Silva
- Fernando Haddad
- Marina Silva