Ex-candidato à Presidência da República, Padre Kelmon confirmou que tentará este ano uma vaga na Câmara dos Deputados, por São Paulo, pelo PL de Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto. Pelas redes sociais, o religioso afirmou ter topado a nova empreitada eleitoral "cumprindo a missão de Deus e o chamado do nosso líder". A postagem foi acompanhada por uma foto com o ex-presidente.
"Juntos vamos resgatar o Brasil", escreveu ele.
Padre Kelmon ficou mais conhecido ao disputar as eleições presidenciais em 2022. Ele chamou a atenção com trajes característicos da matriz ortodoxa da Igreja Católica e defesa enfática do movimento pró-vida. Até então desconhecido do grande público, ele foi alçado à cabeça da chapa depois que a candidatura de Roberto Jefferson (PTB) foi indeferida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante debate da TV Globo da época, ele chegou a ser chamado de “padre de festa junina” por Soraya Thronicke (União Brasil) e de “impostor” por Lula (PT).
O baiano Kelmon Luís da Silva Souza, de 45 anos, se diz ortodoxo, mas nunca foi sacerdote das igrejas da comunhão ortodoxa no Brasil, como revelou a coluna de Malu Gaspar. Ainda assim, ele celebrou missas e batismos na Bahia e ganhou notoriedade em grupos conservadores graças ao discurso bélico contra a esquerda. Antes disso, foi filiado ao PT.
Em 2022, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota para frisar que Kelmon não pertencia à Igreja Católica Apostólica Romana. A CNBB acrescentou que padres da Igreja Católica não são autorizados a concorrer a cargos políticos ou a filiação partidária.
Apesar de não atuar em nenhuma igreja ortodoxa no país, Kelmon fundou e coordenou o Movimento Cristão Conservador Latino-Americano e esteve à frente do Movimento Cristão Conservador do PTB — ele se licenciou pouco antes de figurar como postulante ao Palácio do Planalto.
Ao longo da trajetória política, Kelmon se disse admirador dos falecidos políticos Levy Fidélix e Enéas Carneiro e passou a usar um canal no YouTube para denunciar a “islamização” e a “perseguição” a cristãos no Brasil.