A Justiça italiana decidiu nesta quinta-feira aceitar o pedido apresentado pelo governo brasileiro de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, em decisão que ainda precisará ser referendada pelo Ministério da Justiça italiano.
Ao GLOBO, a defesa de Zambelli afirmou que já está preparando um recurso a ser apresentado à Corte de Cassação, o equivalente na Itália ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro. Os advogados tem 15 dias para elaborarem o pedido.
Antes disso, a defesa espera o posicionamento do Ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, sobre o caso. Segundo os advogados, a palavra final sobre a extradição é dele. Há uma avaliação da banca de que se trata de uma decisão política.
Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira sentença, que impôs 10 anos de prisão à ex-parlamentar, foi determinada pela invasão os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi condenada a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Tal sentença, por sua vez está ligada ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo, com arma em punho, às vésperas das eleições 2022.
Zambelli, que tem cidadania italiana deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para a Itália. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada no país europeu.
Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da condenação da bolsonarista à prisão.
Enquanto o processo de extradição corria na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter a ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.