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'Pessoa horrível' x 'parceria com a leniência': relembre grandes discussões entre Barroso e Gilmar no plenário do STF

'Pessoa horrível' x 'parceria com a leniência': relembre grandes discussões entre Barroso e Gilmar no plenário do STF

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes, que viveu embates com o colega Luís Roberto Barroso durante julgamentos na Corte, afirmou na quinta-feira que não tem “mágoas” do ministro que anunciou aposentadoria.

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— Não guardo mágoas. O compromisso tem que ser com a instituição. Isso é fundamental. Tenho certeza, ministro Barroso, que a História vai reconhecer o seu papel — disse Gilmar.

Os dois tiveram duas grandes discussões no plenário do STF. Em março de 2018, quando o plenário julgava uma ação sobre doações eleitorais, numa indireta ao colega, o hoje decano criticou o que chamou de “manobras” dos ministros para conseguirem resultados de seu interesse na Corte, “dando uma de esperto”. O comentário fazia referência a um voto de Barroso na Primeira Turma que revogava a prisão preventiva de médicos e funcionários de uma clínica de aborto.

Barroso rebateu na ocasião:

— Me deixa de fora do seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia. É muito penoso para todos nós ter que conviver com vossa excelência.

Um ano antes, Barroso disse que o colega “não trabalha com a verdade”, “muda de jurisprudência de acordo com o réu” e tem parceria com “a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”. Gilmar acusou o colega de ter advogado para “bandidos internacionais”, em referência à atuação de Barroso como defensor do terrorista italiano Cesare Battisti, quando ainda exercia a advocacia.

Reaproximação

Já em abril de 2021, época em que os julgamentos ocorriam de maneira virtual em razão da pandemia, os dois ministros divergiram na sessão em que a Corte analisava a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no processo do triplex do Guarujá, que tinha o então ex-presidente Lula como réu. Barroso afirmou que Gilmar Mendes havia “sentado em cima de um pedido de vista por dois anos”, e o decano rebateu afirmando que o “moralismo é a pátria da imoralidade”.

Anos depois das divergências, os dois se reaproximaram durante o governo de Jair Bolsonaro, momento em que o STF sofreu ataques.

Em 25 de setembro, quando Barroso participou de sua última sessão como presidente da Corte, Gilmar destacou que, sob a condução dele, o STF julgou e condenou um ex-chefe de Estado por tentativa de golpe, fato que classificou como “raro”:

— A presidência de vossa excelência entra para a História como a primeira vez em que um ex-chefe de Estado é condenado por tentativa de golpe de Estado, um fato raríssimo em termos mundiais.

  • Gilmar Mendes
  • Luís Roberto Barroso