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Planalto aposta em apoios do PSD nos estados para minar plano presidencial da sigla após filiação de Caiado

Planalto aposta em apoios do PSD nos estados para minar plano presidencial da sigla após filiação de Caiado

O governo Lula conta com o apoio de lideranças regionais do PSD, partido de Gilberto Kassab, à candidatura do petista à reeleição neste ano, apesar da filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à sigla. A avaliação de aliados de Lula é de que, embora o PSD possa efetivamente lançar candidato à presidência, não há unidade no partido em torno de um nome. Além disso, governistas dizem que uma profusão de candidatos do campo da direita poderia beneficiar Lula.

Nesta quarta-feira, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a tendência é de repetição do cenário de 2022, quando o PSD não apoiou nem Lula nem Bolsonaro oficialmente, mas o petista teve o respaldo de integrantes do partido em diferentes estados.

— Acho que o Caiado não tinha espaço no União Brasil e resolveu ir para outro partido, e talvez o PSD queira ter algum candidato. A gente já teve apoio do PSD em vários estados na eleição de 2022. Acho que a tendência (para as eleições deste ano) é essa. O PSD não é um partido de unidade nacional, é um partido que se movimenta pelos interesses regionais federados e nós vamos ter de lidar com isso — afirmou a ministra a jornalistas.

A silgla de Gilberto Kassab comanda três ministérios no governo: Minas e Energia, com Alexandre Silveira; Agricultura, com Carlos Fávaro; e Pesca, com André de Paula. Apesar disso, com a entrada de Caiado o partido passa a abrigar também três presidenciáveis: os outros dois são os governadores do Paraná, Ratinho Júnior; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Reservadamente, integrantes do governo dizem que a filiação de Caiado ao PSD também é vista como uma janela para que Ratinho Júnior, caso desista da corrida presidencial, possa se manter no governo para trabalhar por um sucessor que faça frente à candidatura do senador Sérgio Moro (União-PR), que aparece como favorito nas pesquisas para o governo paranaense.

Com isso, Kassab poderia apostar em Caiado como candidato à presidência. Em Goiás, Caiado vai apoiar a candidatura de seu vice, Daniel Vilela (MDB), como sucessor. O nome de Vilela aparece como competitivo nas sondagens eleitorais no estado.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, diz que foi informado previamente por Kassab da filiação de Caiado ao seu partido e que isso não muda o fato de que, na Bahia, o diretório estadual deverá participar do palanque de Lula à reeleição.

— O Kassab falou comigo que ia acontecer essa filiação. E ele já sabe que aqui na Bahia e em outos estados nós temos uma relação sólida com nossos aliados e não vamos deixar de estar onde nós estamos. Kassab é muito atencioso comigo, tenho ótima relação com ele. Respeito muito ele e ele sempre respeitou as posições estaduais — afirmou o senador.

Alencar diz que o PSD baiano apoia a reeleição de Lula e que tem uma relação de “15 anos com esse projeto” do PT no estado.

— Não posso mudar de última hora isso com uma candidatura que ainda nem se formou e de alguém que chegou agora no partido — disse ao GLOBO.

No Rio de Janeiro e no Amazonas, por exemplo, lideranças do PSD devem voltar a apoiar o petista, como o fizeram em 2022. O prefeito Eduardo Paes (PSD) deve se candidatar ao governo do Rio, enquanto o senador Omar Aziz (PSD) buscará o do Amazonas, ambos com o apoio de Lula. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), tem dado sinalizações ao governo federal e se aproximando de integrantes do Planalto também em busca do apoio do petista, ainda que de forma mais singela. Seu principal rival no estado, o prefeito de Recife, João Campos (PSB), também é aliado de Lula.

A dúvida que permanece no governo é sobre qual será a postura de Kassab sobre a definição do nome para vice na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à reeleição ao governo de São Paulo. O atual vice, Felicio Ramuth, é filiado ao partido de Kassab, mas não há definição se ele permaneça na chapa.

Em 2022, a candidatura de Lula teve o endosso de lideranças do PSD no Rio, a exemplo do prefeito Eduardo Paes e do deputado Pedro Paulo, além de apoios em estados como Amazonas (em especial o senador Omar Aziz); Bahia (principalmente os senadores Otto Alencar e Coronel Ângelo); Minas Gerais (com Alexandre Silveira); Mato Grosso (com Carlos Fávaro).

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