O precedente mais próximo à situação que o Rio pode viver em 2026 ocorreu há quatro anos em Alagoas. À época, a renúncia do então governador Renan Filho (MDB), que não tinha vice, forçou uma eleição indireta poucos meses antes de o eleitorado ir às urnas. A oposição de Renan fez uma investida judicial questionando o rito adotado pela Assembleia Legislativa, o que acabou atrasando a escolha de Paulo Dantas para o mandato-tampão.
- STF: Lula deve ter nova conversa com Alcolumbre antes de enviar indicação de Messias
- PT: Gleisi diz ser pré-candidata ao Senado pelo Paraná
Sob o comando de aliados de Renan Filho, a Assembleia alagoana tinha maioria folgada para eleger Dantas quando o então governador renunciou, no início de abril daquele ano. Mas o PP, partido do então presidente da Câmara, Arthur Lira, e o PSB, à época comandado pelo prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conseguiram suspender a eleição no Supremo Tribunal Federal (STF), apontando falhas na lei que regulamentava o processo.
O impasse durou cerca de duas semanas, e a votação, que deveria ocorrer no primeiro dia útil de maio, só foi feita no dia 15, depois de a Assembleia alagoana atender a uma determinação do Supremo para ajustar as regras da eleição.
Um desses ajustes foi a exigência de que os candidatos seguissem os critérios da chamada Lei de Inelegibilidades — que obriga, por exemplo, os candidatos ao governo a deixarem outros cargos no Poder Executivo seis meses antes da votação. Em Alagoas, a regra pouco fez diferença, já que os principais candidatos eram deputados estaduais, não atingidos pela limitação.
No Rio, porém, a adoção da mesma régua pode eliminar da disputa os três nomes — os secretários estaduais Nicola Miccione e Douglas Ruas, e o federal André Ceciliano — que, hoje, são tidos como principais candidatos na Alerj.
No caso alagoano, o STF também exigiu que fossem formadas chapas com governador e vice, enquanto a regra original da Assembleia permitia candidaturas avulsas a cada cargo. Além disso, o Supremo entendeu que, em eleição indireta, não há necessidade de convenções partidárias para escolher candidatos — burocracia que poderia adiar ainda mais a votação.