UNO MEDIA

Presidente do PSD em Minas descarta candidaturas de Pacheco e Silveira ao governo e ao Senado

Presidente do PSD em Minas descarta candidaturas de Pacheco e Silveira ao governo e ao Senado

O presidente do PSD em Minas Gerais, Cássio Soares, descartou a possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco se candidatar pelo partido ao governo do estado. O nome do ex-presidente do Senado vem sendo defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca um palanque no segundo maior colégio eleitoral do país. Além de o próprio Pacheco resistir, o PSD aposta na pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões, que se filiou à sigla em outubro de 2025 após deixar o Partido Novo. Outro nome do partido nos planos petistas, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também é visto "com dificuldade" dentro do PSD para disputar o Senado, avaliou Soares.

  • Após expor preferência por Ratinho Jr: Kassab publica vídeo em que Eduardo Leite reafirma desejo de ser presidente
  • Leia também: Líder do PT aciona Justiça contra Flávio Bolsonaro por divulgação de vídeo manipulado sobre Lula

— Durante todas as conversas com o Mateus (para a filiação), o Rodrigo estava sendo informado. Ele é um grande homem público — afirmou Soares, em entrevista ao jornal Estado de Minas, divulgada nesta quarta-feira. — Hoje, nós temos um projeto definido com o Mateus Simões. Não cabe ter dois pré-candidatos ao governo no PSD.

O dirigente do diretório local também afirmou que, com a aproximação entre Pacheco e Lula, mantê-los no mesmo partido pode causar uma "contradição eleitoral difícil de explicar". Nesse caso, o aliado do governador Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, está mais alinhado aos planos da direita.

— Caso o Rodrigo venha a ser candidato, será com o apoio do governo Lula. O Mateus, por sua vez, defende uma ampla unificação da direita — explicou Soares. — O pensamento do Mateus está alinhado com a grande maioria do PSD em Minas e também nacionalmente.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ocupa o cargo secretário de Governo e Relações Institucionais em São Paulo, sob comando do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), alinhado ao bolsonarismo. Além de dizer publicamente que o apoiaria caso concorra à Presidência, o dirigente partidário mantém em aberto a possibilidade de candidatura própria, com os governadores Ratinho Júnior (Paraná) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Na mesma entrevista, apesar de afastar Pacheco, Soares teceu elogios ao ex-presidente do Senado, com quem, segundo ele, mantém "uma relação pessoal muito boa", apesar dos "campos políticos serem diferentes".

— Rodrigo teve uma participação muito relevante na manutenção da democracia. Sofreu desgastes por ocupar uma cadeira que exigia posições firmes e tomou as decisões que considerou necessárias naquele momento. Nós temos uma conversa serena e sempre honesta — contou.

A pré-candidatura de Simões frustrou os planos de Lula, que já expressou em diversas ocasiões o desejo de ter Pacheco como candidato ao governo estadual. No ano passado, o senador também chegou a figurar na lista dos que foram cotados para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, mas o petista deu preferência à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

'Vejo muita dificuldade'

Ainda em relação aos planos petistas, o dirigente estadual destacou ser viável manter uma "convivência política e institucional" no partido com o ministro Alexandre Silveira, embora isso atrapalhe eventuais investidas eleitorais em uma disputa pelo Senado. Empossado em 2022, ele construiu uma trajetória recente de alinhamento com o Planalto.

— Ainda não sabemos qual será a decisão do Alexandre, mas sabemos que o caminho dele será ao lado do presidente Lula. Ele sempre deixou isso muito claro — disse Soares. — Vejo muita dificuldade (em uma candidatura pelo PSD). Como vamos ter um palanque em que o candidato a governador, Mateus Simões, está junto com os candidatos de direita, enquanto o candidato ao Senado pede votos para Lula, que é da esquerda?

Soares defendeu que, por conta da discrepância, os eleitores podem "não compreender" o posicionamento do partido, que pode ser acusado de "incoerência". Apesar disso, ele também ressaltou que o cenário "nunca foi colocado em discussão".

Conforme reportagem do GLOBO publicada na semana passada, o PT considera apoiar o lançamento do nome de Silveira para a segunda cadeira em disputa pelo Senado em Minas Gerais. A primeira seria para a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que costuma defender que só deixaria a gestão municipal caso seja a candidata única de Lula para o pleito.

  • Alexandre Silveira
  • Eduardo Leite
  • Gilberto Kassab
  • Ratinho Junior
  • Rodrigo Pacheco
  • Romeu Zema