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Principal articulador de Tarcísio, Kassab confirma que vai deixar o governo de São Paulo

Principal articulador de Tarcísio, Kassab confirma que vai deixar o governo de São Paulo

O secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab, confirmou que vai deixar a gestão Tarcísio de Freitas nas próximas semanas. Presidente nacional do PSD e principal articulador político do governador, Kassab afirmou que a saída já estava combinada desde o início da gestão e que ainda definirá com Tarcísio o momento exato da transição.

— Pode ser hoje, pode ser amanhã, ainda não tem nada. Isso pode ser até março. Já estou delegando funções. Eu estou cada vez mais me envolvendo com o processo eleitoral e quero estar à frente do partido para comandar as eleições. Só isso. Não tem nada de candidatura minha — disse Kassab.

A reportagem do GLOBO e da CBN apurou, porém, que interlocutores do governador e do próprio Kassab avaliam que a saída deve ocorrer já nos próximos dias. Segundo aliados, embora publicamente negue, Kassab gostaria de estar posicionado para disputar a vaga de vice na chapa de reeleição de Tarcísio, ou até mesmo a cabeça de chapa caso o governador venha a concorrer à Presidência — cenário hoje considerado menos provável.

Além disso, é esperada uma conversa entre Tarcísio e Kassab para que a definição seja firmada ainda neste ano, já que a intenção do governador é iniciar 2026 com o novo secretariado completamente montado.

A saída ocorre em meio às mudanças previstas na administração estadual. O primeiro a deixar o cargo foi Guilherme Derrite, ex-secretário da Segurança Pública, que deve disputar o Senado. Outros quatro secretários também devem sair por razões eleitorais. Os anúncios serão feitos de forma escalonada pela gestão estadual.

Sobre ser vice de Tarcísio, Kassab disputaria a vaga com o atual número dois do governo, Felício Ramuth, justamente de seu partido, e com o presidente da Alesp, André do Prado (PL), que está na briga para compor uma chapa com o atual governador. Na avaliação de Prado, o PL, que possui 20 deputados estaduais, pode chegar a 23 até as eleições no ano que vem, o que, na visão dele, justificaria a troca de PSD por PL na composição majoritária da direita paulista do ano que vem.

Já para Kassab assumir uma possível candidatura estadual, caso Tarcísio concorra a presidente, os obstáculos seriam maiores. Segundo aliados do cacique do PSD, as demais legendas, como PP e MDB, além do PL, não veem Kassab competitivo eleitoralmente, além do fato de ele "misturar presidência de partido com candidatura a governador", segundo uma fonte próxima ao presidente do PSD. " Mas Kassab é Kassab", diz o aliado, sobre o poder de negociação do chefe.

Nomeado por Tarcísio em 1º de janeiro de 2023, Kassab encerra o terceiro ano do governo acumulando filiações de prefeitos para o seu partido. Reportagem do GLOBO em junho mostrou que o PSD possui 203 prefeitos, quase 1/3 dos governantes paulistas. A investida, que contou com a concorrência de PL, PP, MDB e Republicanos, se deu desde o início da gestão, coincidindo com o ocaso do PSDB, até então o campeão de filiações municipais.

Tanto poder com a influência dos prefeitos paulistas trouxe, por outro lado, algumas rusgas entre Kassab e a base de Tarcísio. No fim do ano passado, a Alesp cortou de R$ 2,2 bilhões para R,$ 900 milhões a verba da Secretaria de Governo. Na ocasião, a pressão partiu de PL e Republicanos — a legenda do governador —, que se queixaram do excesso de poder do presidente do PSD.

Na semana passada, Kassab disse em um evento que Tarcísio "exagerou um pouco" ao se apresentar como candidato bolsonarista.

— O melhor candidato é o Tarcísio, se ele for candidato, meu partido vai apoiá-lo. Mas ele tem errado. Daqui para trás, ele exagerou um pouco, ele não pode se apresentar como bolsonarista. Ele tem que ser um líder acima de tudo, e ele vai se apresentar — afirmou Kassab, no início do mês.