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Quem é e o que pesa contra cada réu do 'núcleo quatro', que começa a ser julgado pelo STF nesta terça; veja datas

Quem é e o que pesa contra cada réu do 'núcleo quatro', que começa a ser julgado pelo STF nesta terça; veja datas

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar na manhã desta terça-feira o núcleo quatro da trama golpista, acusado de espalhar desinformação para atrapalhar a eleição de 2022. A Corte reservou seis sessões — que ocorrerão até o dia 22 de outubro — para o julgamento dos sete réus do grupo. Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a condenação de todos os membros do núcleo pelos cinco crimes pelos quais são acusados. As defesas, por sua vez, pedem a absolvição.

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Fazem parte deste núcleo o ex-major do Exército Ailton Barros, o sargento Giancarlo Rodrigues, o policial federal Marcelo Bormevet, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu, o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida, o major da reserva Angelo Denicoli e o engenheiro Carlos Rocha.

A denúncia afirma que os sete integrantes do chamado núcleo quatro da trama golpista agiram de forma coordenada com o núcleo central. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os membros desse grupo "propagaram notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizaram ataques virtuais a instituições e autoridades que ameaçavam os interesses do grupo".

A PGR pede ao tribunal que os envolvidos sejam condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Saiba o que pesa contra os réus:

Ailton Barros

Segundo a denúncia, Ailton Barros teria participado de ataques contra os então comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, por eles não terem aderido ao plano golpista.

Ailton Gonçalves Barros, ex-militar e advogado — Foto: Reprodução
Ailton Gonçalves Barros, ex-militar e advogado — Foto: Reprodução

Em depoimento ao STF em julho, o ex-major afirmou que entendeu os pedidos do general Braga Netto de ataques aos comandantes das Forças Armadas como “choradeira de perdedor de campanha”. No inquérito, consta que Ailton enviou a Braga Netto uma captura de tela com uma mensagem enviada ao general Freire Gomes, então comandante do Exército, em que o texto pedia uma ação por parte dos militares. “Ou você toma uma ATITUDE de PATRIOTA urgentemente ou todos nós MILITARES amargaremos pelo resto de nossas vidas a marca da DESONRA, da COVARDIA e seremos considerados TRAIDORES da PÁTRIA!”, diz um trecho.

Agora ao STF, Ailton afirma que não possui relação alguma com Braga Netto e que só manteve conversas com ele por interesse de apoio político em eleições no Rio de Janeiro. Em 2022, ele foi candidato a deputado estadual.

— Ele não é meu amigo, não é meu colega. Nunca tive oportunidades de conversar com ele — disse. O ex-major afirmou que começou a ter “contatos visuais” com Braga Netto a partir do primeiro turno de 2022, quando disputou a eleição. Ailton contou que chegou a pedir ao general que gravasse um vídeo de campanha para ele, mas o então candidato a vice-presidente negou alegando motivos particulares.

O ex-major disse, ainda, que a primeira mensagem que enviou a Braga Netto foi enviada de maneira equivocada. No entanto, para buscar se aproximar dele, não quis contrariá-lo, e por isso mandou uma resposta falando em entregar a cabeça de Freire Gomes “aos leões”. “Vamos oferecer a cabeça dele aos leões”, escreveu Ailton na época.

Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet

Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet — Foto: Reprodução
Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet — Foto: Reprodução

Já Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet trabalharam na Abin durante a gestão do hoje deputado Alexandre Ramagem, que foi condenado pela participação no núcleo central. Eles são acusados de promover desinformação contra opositores. Segundo a denúncia, ambos os réus integravam a estrutura da Abin Paralela e utilizaram informações falsas para atacar o sistema de votação eleitoral.

As investigações envolvendo o caso da "Abin paralela" no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro tiveram início após o GLOBO revelar, em março do ano passado, a compra de um sistema espião pela Agência Brasileira de Inteligência para monitorar a localização de alvos pré-determinados em todo o país.

Segundo a denúncia, Bormevet teria orientado Rodrigues a divulgar falsas alegações contra ministros da Corte: Luiz Fux e Luís Roberto Barroso. Ele teria insistido na busca de supostos vínculos comprometedores contra o então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Postagens do réu constam no documento elaborado pela PGR — Foto: Reprodução
Postagens do réu constam no documento elaborado pela PGR — Foto: Reprodução

Já Rodrigues, segundo a PGR, divulgou compartilhou prints de posts no X com ataques e desinformações, inclusive contra membros da Corte.

A defesa de Rodrigues afirmou que a relação dele com Bormevet foi apenas profissional, enquanto os advogados do policial federal negaram a relação entre as atividades dele e o suposto plano de golpe.

Reginaldo Vieira de Abreu, Guilherme Marques Almeida, Angelo Denicoli e Carlos Rocha

Reginaldo Vieira de Abreu, Guilherme Marques Almeida, Angelo Denicoli e Carlos Rocha. — Foto: Reprodução
Reginaldo Vieira de Abreu, Guilherme Marques Almeida, Angelo Denicoli e Carlos Rocha. — Foto: Reprodução

O coronel Reginaldo Vieira de Abreu, o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida e o major da reserva Angelo Denicoli teriam ajudado a divulgar informações falsas sobre as urnas. A mesma suspeita ocorre contra Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, organização contratada pelo PL e que ajudou a embasar uma ação do partido pedindo anulação de parte dos votos.

Foram reservadas as seguintes sessões para o julgamento do núcleo quatro:

  • 14 de outubro: duas sessões, de manhã e de tarde
  • 15 de outubro: uma sessão, de manhã
  • 21 de outubro: duas sessões de manhã e de tarde
  • 22 de outubro: uma sessão, de manhã

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