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Quem é o agente de inteligência que manteve canal no YouTube e virou alvo de procedimento da Abin

Quem é o agente de inteligência que manteve canal no YouTube e virou alvo de procedimento da Abin

Com 3 milhões de inscritos no Youtube, o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça se apresenta como policial penal federal e diz querer aconselhar concurseiros da área que atua. No entanto, na prática, o oficial opta por fazer críticas a políticos e comentários sobre segurança pública.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu um processo administrativo disciplinar contra ele pela dedicação ao canal. Isso porque, segundo relatos de colegas, o agentes está de licença médica e continua recebendo o salário, mas segue atuando nas redes sociais como atividade profissional.

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Segundo o g1, que revelou a ação nesta terça-feira, Mendonça foi notificado do processo na semana passada. O técnico de inteligência deve responder na Justiça por descumprir normas internas da Abin ao exercer atividade pública durante o período afastado.

Um dos vídeos no canal mostra Mendonça afirmando que o foco das postagens é “bater em político, deixar político constrangido”, além de mostrar a “realidade da política e da segurança pública”. O funcionário da Abin diz em outra publicação gravar durante 16 horas por dia e indicou ter uma “máquina” com outros trabalhadores na equipe do canal.

Há dois anos, a Justiça chegou a suspender conteúdos de Mendonça por disseminação de discurso de ódio e abuso ao direito de liberdade de expressão.

A reportagem procurou Mendonça, mas não teve retorno até a publicação.

Já a Abin afirma que a lei nº 11.776, que estrutura o Plano de Carreiras e Cargos, não impõe dedicação exclusiva ao cargo de oficial técnico de inteligência. A agência disse também que não comenta procedimentos correcionais em curso.

“A Corregedoria da Abin informa que os processos disciplinares instaurados no âmbito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação vigente e nas orientações da Controladoria-Geral da União (CGU), especialmente no que se refere à proteção da intimidade, da imagem e dos direitos das pessoas envolvidas”, diz a agência em nota.