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Raquel Lyra vira alvo da oposição após denúncias de irregularidades na operação de empresa de ônibus da família

Raquel Lyra vira alvo da oposição após denúncias de irregularidades na operação de empresa de ônibus da família

Candidata à reeleição em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem sido pressionada por uma crise interna provocada por indícios de irregularidades na operação da empresa de ônibus intermunicipais de sua família, a Logo Caruerense. As denúncias foram feitas após a constatação de que os veículos rodavam sem cumprir as exigências necessárias para a circulação dos passageiros há pelo menos três anos. Com a repercussão do caso, a governadora autorizou mudanças na prestação do serviço, que incluíram o encerramento das atividades da companhia, mas também passou a ser alvo da oposição na Assembleia Legislativa próxima ao prefeito de Recife, João Campos (PSB).

O caso veio à tona após a publicização de um relatório de débitos feito pela EPTI, autarquia vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Habitação (Seduh), comandada por André Teixeira Filho, primo da governadora. O documento mostrava que os 50 veículos da companhia Logo Caruarense rodam há três anos sem passar por vistorias e com atrasos nos pagamentos das taxas para emissão do Certificado de Registro Cadastral (CRC) desde, pelo menos, 2020 — ambos são requisitos para a circulação de passageiros. Pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai de Raquel, a empresa operava, via concessão estadual, em linhas intermunicipais que conectavam a capital, Recife, a oito cidades no interior do estado, como Caruaru, Gravatá e São Caetano.

Após o vazamento do relatório, a empresa informou na sexta-feira, por meio de uma nota publicada no Instagram, o encerramento definitivo de suas atividades devido "ao grave desequilíbrio econômico-financeiro da operação e por dificuldades conjunturais há muito enfrentadas pelo setor e potencializada após a pandemia". O anúncio do fechamento também foi feito pela governadora no mesmo dia, que também disse que a empresa havia devolvido as linhas à administração estadual.

— A EPTI vai trabalhar para que a gente não tenha o prejuízo à população e permita que todos tenham o direito de ir e vir, reunindo os operadores do sistema e garantindo a segurança jurídica necessária para que o serviço prestado possa ser garantido à nossa população — disse.

Nesta quarta-feira (21), o Diário Oficial do estado, no entanto, também informou a exoneração do então presidente da EPTI, Antônio Carlos Reinaux, e sua substituição por Yuri Coriolano, que atuou como advogado da campanha eleitoral da governadora em 2022. Desde 2023, ele ocupava o cargo de secretário-executivo de Coordenação Estratégica da Casa Civil do estado, e antes havia sido diretor-geral de Assuntos Jurídicos da Secretaria de Saúde do estado. Procurado sobre o caso e sobre as mudanças no comando da autarquia, o governo de Pernambuco não respondeu aos questionamentos levantados pela reportagem para a Secretaria de Comunicação.

O caso também serviu de combustível para a oposição à governadora na Assembleia Legislativa, que protocolou um pedido de impeachment. Assinada pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União), apoiador de João Campos, a representação foi recebida na última segunda-feira pela presidência da Assembleia Legislativa, ocupada interinamente pelo deputado Rodrigo Farias (PSB), também aliado do prefeito recifense. Em nota, ele disse ao GLOBO que o requerimento será analisado na Casa a partir de 2 de fevereiro, com a retomada das atividades após o recesso.

Farias está no comando da Assembleia até o retorno de uma viagem ao exterior do presidente, o deputado estadual Álvaro Porto (PSDB), com quem a governadora acumula rusgas desde o período em que era filiada ao PSDB. Na Casa, no entanto, ela também tem buscado manter a base unida, mesmo após dissidências de partidos como o MDB, que decidiu no ano passado passar a integrar a bancada independente. O momento também coincidiu com a decisão do prefeito de contemplar a sigla em seu primeiro escalão.

João Campos, por sua vez, também é alvo de um pedido de impeachment protocolado pela oposição ao seu governo na Câmara dos Vereadores. A representação foi apresentada no início deste mês, após a modificação do resultado de um concurso público favorecer o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça do estado. A nomeação do candidato chegou a ser feita pela prefeitura, mas a gestão voltou atrás após a repercussão do caso.

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