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Relator da CPI do Crime Organizado critica voo de Toffoli com advogado do caso Master: 'Temos ministros que acham normal caronas em jatinhos'

Relator da CPI do Crime Organizado critica voo de Toffoli com advogado do caso Master: 'Temos ministros que acham normal caronas em jatinhos'

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta terça-feira que a infiltração de organizações criminosas nos Poderes da República ocorre em "gabinetes e escritórios de Brasília".

— O crime organizado não é o preto pobre armado na favela, isso é o sintoma. O crime organizado é aquilo que a gente vê aqui em Brasília infiltrado em gabinetes, escritórios e várias atuações — disse o senador durante audiência com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Ao falar sobre as conexões do crime com autoridades, Vieira fez uma crítica à postura do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli de pegar carona em um jatinho acompanhado de um advogado do caso Master, do qual ele virou relator na Corte. O caso foi revelado pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, no último fim de semana.

--- Temos ministros que acham normal, cotidiano, caronas em jatinhos pagos pelo crime organizado. Não é surpresa. Gente investigada pelo crime organizado. O cara entra no jatinho, vai para uma viagem paga pelo crime organizado. Acessa a um evento de luxo pago pelo crime organizado. E retorna a Brasília para julgar um caso na Corte Superior --- afirmou ele.

No último mês, Toffoli viajou em uma aeronave particular do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore para assistir à final da Libertadores, em Lima, no Peru, em 28 de novembro. No avião, estava presente o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Banco Master, defendendo o diretor de compliance do Banco, Luiz Antônio Bull.

Dias depois do passeio ao Peru, Toffoli decretou sigilo máximo às investigações contra os executivos do banco Master.

No fim da audiência, o relator da CPI criticou como o "escândalo do momento" um suposto contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

--- Eu tenho o meu hábito de dar o nome às coisas. O escândalo que é o ministro Dias Toffoli viajar num jatinho para um compromisso particular junto com o advogado do Banco Master e despachar em favor do pedido do advogado. Era o escândalo do momento, mas já mudou. O escândalo do momento agora é o suposto contrato subscrito entre o Banco Master e o escritório da esposa e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes no valor de R$ 129 milhões para uma atuação de três anos --- afirmou Vieira.

De acordo com o senador, há um "ponto de infiltração muito claro e estabelecidos do crime organizado em relação aos Poderes brasileiros".

--- E se dá por meio do lobby e da advocacia que se sustenta em parte na venda de acesso a gabinetes. Eu citei um exemplo da Suprema Corte, mas poderia usar um exemplo do Senado da República. Tem campanhas financiadas pelo crime organizado. Esse é um país que já teve presidente, governador, senador, deputado, governador, prefeito, vereador presos. Mas não tivemos nenhum ministro das instâncias superiores preso. Me parece que esse momento se avizinha --- disse Vieira, perguntando a Lewandowski "quais soluções nós teríamos para esse cenário".

Lewandowski evitou tratar de um caso específico, disse condenar "qualquer desvio ético" por parte do Poder Judiciário e defendeu que seja "aperfeiçoado" o financiamento de campanha eleitoral.

— Condeno veemente qualquer infração ética. Acho que temos um corpo normativo suficiente para coibir desvio ético da advocacia e magistratura. É preciso colocar em prática esse legislação. Com relação ao financiamento de campanha, isso é muito sério. (...) É preciso um controle maior dessas verbas. Eu cheguei até a aventar a ideia de um tribunal de contas para fazer o controle dessas verbas — sugeriu Lewandowski.

Diante da declaração contundente do relator sobre o envolvimento de senadores com o crime, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) questionou Vieira se ele não gostaria de retificar a fala para não lançar suspeição sobre os 81 senadores. Vieira manteve a sua posição, dizendo que ela se direcionava a parlamentares que fazem lobby para bets e bancos envolvidos em investigações criminais.

— Quem trabalha para bet é financiado pelo crime organizado. Quem trabalha para lobby em banco que rouba dinheiro de aposentado é financiado pelo crime organizado. E cada um que vista a sua carapuça. Nós não vamos mudar o Brasil, senão colocarmos o dedo na ferida. Nós temos um país doente, e nós naturalizamos a doença — disparou o parlamentar.