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Relator da PEC da Segurança Pública inclui no texto referendo sobre diminuir maioridade penal de 18 para 16 anos

Relator da PEC da Segurança Pública inclui no texto referendo sobre diminuir maioridade penal de 18 para 16 anos

O relator da PEC da Segurança Pública, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), afirmou nesta terça-feira que vai propor no projeto um referendo sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Em apresentação feita aos líderes dos partidos, o deputado sugeriu que a população seja consultada em 2028 para aumentar a punição a adolescentes envolvidos com "facções criminosas" e "crimes violentos". Deste modo, a realização do referendo constará do texto final da PEC, que deve ser votada na próxima semana no plenário da Câmara dos Deputados.

— A sociedade precisa se posicionar com relação a isso. Esse é um tema que foi votado na Câmara dos Deputados e não avançou no Senado. Então, é melhor que a população possa responder a essa tese. Pessoas que cometem crimes violentos entre 16 e 18 anos não podem ficar impunes com três anos em regime socioeducativo. A gente tem que mudar esse regime. É o que eu defendo, mas eu respeitarei a vontade da maioria da casa — afirmou Mendonça, que admitiu a possibilidade de fazer mudanças no texto até o dia da votação.

Outra novidade do relatório é a perda de direitos políticos para todos os detentos. Isso estava previsto no PL Antifacção do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), mas foi retirado do projeto apresentado no Senado.

— Ele já perdeu a liberdade de ir e vir. Como é que ele vai execer o direito ao voto. Você está delegando a pessoas privadas de liberdade a escolha de representantes da política, contaminando o próprio processo político- eleitoral — argumentou o relator. Conforme a legislação atual, presos condenados são impedidos de votar.

Mendonça também incluiu em seu relatório o impedimento de progressão de regime para “supercrimes“, como os delitos contra a vida, estupro seguido de morte e o papel de liderança em facções. E permitiu à Polícia Militar registrar ocorrências de infrações de menor potencial, como ameaça, lesão corporal, acidente de trânsito etc. Essa série de medidas alteram o conteúdo da proposta original, elaborada pelo ministério da Justiça e enviada ao Congresso pelo governo Lula.

O relator afirmou que deve se reunir ainda hoje com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O texto deve ser apresentado oficialmente nesta quarta-feira e ser votado no plenário da Casa na próxima terça.

Da parte que foi mantida do projeto original, o relatório prevê a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a ampliação das prerrogativas da Polícia Federal para investigar crimes contra o meio ambiente e aqueles praticados por “milícias privadas” e “organizações criminosas”. Em relação à Polícia Rodoviária Federal, o texto conserva a prerrogativa da instituição de patrulhar ferrovias e hidrovias, além das rodovias, mas não muda o nome da corporação para Polícia Viária Federal - como sugeriu o governo Lula.

O projeto também mantém a inclusão na Constituição dos fundos de Segurança e Penitenciário (FUNASP e o FUNPEN), com veto ao contingenciamento.

A comissão especial da PEC da Segurança Pública, da qual Mendonça é relator, realizou 24 audiências públicas com 60 autoridades e discutiu 81 propostas sugeridas pelos deputados.