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Relator tenta acordo, mas projeto para redução de penas por atos golpistas tem impasses no Congresso

Relator tenta acordo, mas projeto para redução de penas por atos golpistas tem impasses no Congresso

Relator do projeto de lei que reduz penas para envolvidos em atos golpistas, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) tenta construir um acordo com governo, Centrão e oposição para apresentar um texto nesta semana e pressionar pela votação, mas esbarra em impasses que incluem a prioridade que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vem dando a outros temas.

O chefe da Casa evitou na semana passada dar um prazo para a votação, apesar da pressão do PL para a iniciativa ser analisada, já que o projeto poderá beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro com um tempo menor de prisão. Além disso, ontem, em artigo no jornal “Folha de S. Paulo”, Motta listou como prioritárias a reforma administrativa e pautas “que não pertencem a partidos”, como aquelas relacionadas à segurança pública. Não houve menção à dosimetria. Nesta semana, o presidente da Câmara indicou a aliados que poderá votar propostas que tratem de educação.

Com o cenário desfavorável, Paulinho tenta fechar o texto e montar um cronograma. Uma das versões, que ainda não é definitiva porque o relatório não foi protocolado, reduz as penas e unifica os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito, além de reduzir a punição aos crimes de dano qualificado e de deterioração de patrimônio tombado.

Paulinho passou as últimas semanas ouvindo as bancadas partidárias da Câmara e se reuniu com PL, PT, União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSD, PSDB, Podemos, Solidariedade, Avante, PRD e Novo. Com exceção do PT, que é contra reduzir penas e PL e Novo, que defendem uma anistia ampla, todas as bancadas se mostraram abertas a apoiar o relatório, mas aguardam a oficialização.

— Precisamos virar a página. Se reduzir as penas, as pessoas que foram presas no dia 8 de janeiro podem ser soltas — disse Paulinho na semana passada, em referência a quem esteve na depredação na Praça dos Três Poderes.

Reunião com Alcolumbre

Na tentativa de diminuir resistências, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez uma reunião na última terça-feira com Hugo Motta, o relator do projeto e líderes partidários da Câmara. Alcolumbre demonstrou contrariedade com uma versão do parecer que foi citada na reunião e pediu mudanças para que a medida tivesse aceitação no Senado.

Apesar das discordâncias, a participação de Alcolumbre na reunião com os integrantes da Câmara representou um gesto para distensionar a relação entre as duas Casas.

Um dos motivos de o projeto da dosimetria enfrentar dificuldades é a desconfiança entre deputados e o Senado, que rejeitou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem aprovada pelos deputados.

O texto aumentava a proteção de deputados e senadores que são alvos de ações na Justiça. Parlamentares que negociam o projeto de redução de penas afirmam que a falta de interlocução do relator com Alcolumbre tem travado o avanço da medida. Deputados relatam que, sem um aceno do senador, a Câmara não pretende votar o texto sobre a dosimetria para não repetir o desgaste.