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Relator vai incluir na PEC da Segurança Pública artigo que prevê confisco de bens de organizações criminosas

Relator vai incluir na PEC da Segurança Pública artigo que prevê confisco de bens de organizações criminosas

Deputados da oposição e da base do governo chegaram a um consenso sobre a inclusão de um artigo na PEC da Segurança Pública que prevê o confisco de bens de organizações criminosas. A proposta, que amplia o papel da União na coordenação de políticas da área, está em discussão em uma comissão especial da Câmara dos Deputados.

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Atualmente, a Constituição prevê a apreensão de "todo e qualquer bem de valor econômico" de operações relacionadas ao tráfico de drogas e trabalho análogo à escravidão. Com o novo texto, essa sanção também valeria para operações relacionadas a facções criminosas.

A mudança consta no plano de trabalho do relator, deputado Mendonça Filho (União-PE). No texto, o parlamentar sugere a alteração no direito da "presunção de inocência" previsto no artigo 5º da Constituição para "permitir o confisco antecipado de bens sobre os quais recaiam indícios veementes de terem sido obtidos por organizações criminosas específicas, mediante lavagem".

Nesta segunda-feira, em reunião na comissão, o deputado Alencar Santana (PT-SP) anunciou que apresentará uma nova emenda para fixar o confisco de "produtos dos crimes, como veículos, imóveis e ações". Neste caso, o artigo que seria alterado é o 243 da Constituição. O relator e o presidente da comissão, o deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), concordaram com a proposta.

A ideia sobre o perdimento antecipado de bens também está previsto no Projeto Antifacção, enviado pelo governo Lula ao Congresso Nacional na última sexta-feira.

Neste caso, no entanto, as mudanças seriam feitas no Código de Processo Penal e não na Constituição. O texto confere à Justiça a prerrogativa de decretar antes do trânsito em julgado (o encerramento do julgamento) a apreensão de bens, quando houver indícios de que estes "sejam produto, proveito, direto ou indireto, ou instrumento da prática dos seguintes crimes", como o de facção criminosa, milícia privada, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro vinculada a esses grupos.

Em meio às divergências entre governo e oposição sobre a agenda de segurança pública, há um consenso de que o Estado precisa ter mais instrumentos para descapitalizar as facções criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A discussão sobre projetos de segurança se intensificou nos últimos dias no Congresso e governo federal em meio à repercussão da megaoperação deflagrada no Rio contra o Comando Vermelho, que deixou 121 mortos e113 presos.

Nesta segunda-feira, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, compareceu à comissão especial da PEC. Na ocasião, ele defendeu que a taxação das bets renumere ações de segurança pública.

— Sempre nos preocupa e começo por uma fala do deputado Fraga, que comenta da questão das bets, do aumento do percentual para a segurança pública. Isso é uma pauta central e viria não só para a Polícia Federal, mas para todas as polícias do Brasil. Viria de maneira muito alvissareira para que a gente tivesse um aumento, sabendo da rentabilidade dessas bets, e que ajudaria muito — declarou o diretor da PF.