O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), incluiu em seu parecer um pedido de indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do banco Master. No documento, Gaspar apontou que Vorcaro deve responder por uma série de crimes.
Os crimes imputados ao banqueiro no relatório são organização criminosa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informática, furto qualificado mediante fraude, estelionato eletrônico e previdenciário, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro. Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não vai se manifestar.
Os pedidos de indiciamento precisam ser autorizados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O documento, que é lido na sessão de hoje da CPI, diz que o Master, comandado por Vorcaro, é suspeito de usar uma manobra para “ampliar limites da margem (de empréstimo) consignável, que é limitada junto ao INSS, forçando o comprometimento da renda de aposentados e pensionistas acima de um patamar razoável e com incidência de taxas de juros desreguladas e exorbitantes”.
“Essa é estratégia comercial que resulta, inevitavelmente, no superendividamento sistemático de uma parcela vulnerável da população com um padrão predatório, além de terceirizar a operacionalização das transações a correspondentes bancários, com menor supervisão”, diz ainda o relatório.
Em outro momento, o parecer de Gaspar cita que o Ministério Público Federal “informou ao INSS a tramitação do Inquérito Civil nº 1.16.000.001014/2021-68, em que investigadas irregularidades e fraudes na concessão de créditos consignados e descontos não autorizados envolvendo o Banco Master S.A. (antigo Banco Máxima), que teria alcançado o recorde de R$ 300 milhões em empréstimos consignados”.
O Banco Master foi liquidado após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero.
A apuração resultou na prisão em novembro do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares.
Ele foi solto em seguida, mas foi preso novamente em março, após mensagens indicarem que ele integrava um grupo de mensagens batizado de "A turma" em que eram planejadas ações violentas contra pessoas que ele considerava adversários.
Trocas de mensagens também indicam proximidade de Vorcaro com políticos do Centrão, como os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, que tem negado participação em atos ilícitos.