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Relatório do PL da Dosimetria será apresentado nesta quarta na CCJ, mas votação pode travar por falta de acordo

Relatório do PL da Dosimetria será apresentado nesta quarta na CCJ, mas votação pode travar por falta de acordo

O relatório do projeto de lei que altera regras de dosimetria penal será apresentado nesta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo relator, senador Esperidião Amin (PP-SC). A depender do desfecho da reunião, a proposta pode ser votada ainda hoje no colegiado e, em seguida, no plenário da Casa, como defende o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O avanço, no entanto, está condicionado à construção de um acordo político que ainda não está fechado.

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A principal divergência envolve o alcance do texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Há um consenso amplo, que reúne parlamentares da oposição e da base governista, de que o projeto deve ser restrito exclusivamente aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O impasse está em como fazer essa limitação sem que o texto precise retornar à Câmara, o que poderia adiar a tramitação para 2026.

— Eu estou acompanhando com os líderes partidários e vou conversar com os senadores sobre o andamento na CCJ. Mas, nosso desejo sempre foi deliberar nesta semana — disse ontem Alcolumbre, reticente em relação a um desfecho.

Para tentar resolver a questão, Amin deve incorporar ao relatório emendas apresentadas no Senado. Uma delas é de autoria do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e estabelece que as novas regras se aplicam “exclusivamente” aos crimes cometidos no contexto dos atos de 8 de janeiro. Outra emenda, apresentada pelo senador Sergio Moro (União-PR), segue a mesma linha e sustenta que a alteração no texto teria natureza de ajuste redacional, destinado a corrigir distorções do projeto aprovado pelos deputados.

É justamente essa classificação que divide os senadores. Pelo regimento do Congresso, mudanças de mérito feitas pelo Senado obrigam o texto a retornar à Câmara para nova votação. Parte dos parlamentares, porém, argumenta que a restrição ao 8 de janeiro apenas explicitaria a intenção original do legislador, o que permitiria enquadrar a alteração como emenda de redação — hipótese que dispensaria o retorno à Casa vizinha.

A leitura do relatório, contudo, não garante a votação imediata. Senadores já avisaram que pretendem pedir vista após a apresentação do parecer. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) afirmou que fará o pedido, embora admita que a vista possa ser curta, de apenas algumas horas, o que manteria aberta a possibilidade de deliberação ainda nesta quarta-feira.

— A ideia é pedir vista após a leitura, mas pode ser uma vista curta, de horas. Dependendo do andamento, é possível votar ainda hoje — disse Veneziano ao GLOBO.

Além das discussões regimentais, há resistência de mérito ao projeto. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por exemplo, já apresentou voto contrário à proposta, criticando a pressa na tramitação e argumentando que o texto não produz efeitos imediatos sobre a situação dos condenados, já que ainda dependeria de sanção presidencial e de decisões judiciais para o recálculo das penas.

O cenário político também pesa no ritmo da tramitação. Esta quarta-feira estava prevista como a última sessão deliberativa do ano no Senado, mas Alcolumbre pode convocar sessões extras até o fim de dezembro caso queira levar o projeto adiante ainda em 2025. Aliados do presidente da Casa afirmam que ele trabalha para tentar concluir a votação antes do recesso, enquanto outros senadores defendem o adiamento da análise para o próximo ano.

A proposta da dosimetria chegou ao Senado sob a justificativa de corrigir penas impostas aos condenados pelos atos antidemocráticos, mas passou a enfrentar forte reação após a Câmara aprovar um texto que altera regras da Lei de Execução Penal e abre brecha para beneficiar condenados por outros crimes cometidos com violência ou grave ameaça. É essa ampliação que o Senado tenta agora conter.

  • Davi Alcolumbre