Antes de anunciar sua aposentadoria como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso já havia anunciado a intenção de fazer um "retiro espiritual" para refletir sobre seu futuro. Enquanto sua saída ainda era especulada, ele dizia a interlocutores que não tinha planos de assumir outro cargo, com uma embaixada, por exemplo.
Entre os planos para o futuro, o ministro havia revelado a alguns interlocutores que está escrevendo um livro de memórias que contaria suas impressões sobre a vida após anos como espectador da cena política do país, além de se dedicar aos estudos. A ligação com instituições acadêmicas internacionais, como Harvard e Yale, segue ativa, embora tenha sido afetada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos a ministros do STF, como a suspensão de vistos.
Barroso também demonstrava incômodo com os impactos pessoais da exposição pública, especialmente sobre seus filhos e familiares. Ele chegou a repetir algumas vezes o desejo de preservar sua privacidade e buscar novos espaços de atuação que não envolvam o desgaste da polarização política.
— Hoje em dia, eu não posso sair na rua sem três seguranças. Essa foi a transformação. Esse é o custo pessoal de um país em que alguma coisa aconteceu, que gerou muito ódio e muita raiva nas pessoas — afirmou em entrevista à GloboNews, às vésperas de sua saída da presidência do Supremo, que ocorreu no último dia 29.