O ex-governador Rodrigo Garcia filiou-se na noite desta quinta-feira (26) ao Republicanos. Ao lado do presidente da legenda, Marcos Pereira, e de Tarcísio de Freitas, o político, que estava sem partido desde que deixou o PSDB há dois anos, disse que vai atuar na legenda tanto em São Paulo quanto em âmbito nacional.
Sua principal função, em um primeiro momento, será participar da construção do plano de governo de Tarcísio, candidato à reeleição. Ainda não está definido se ele será coordenador ou colaborador do plano.
– Aceitei o convite honroso do Republicanos e do governador Tarcísio de Freitas. Venho para contribuir no plano de governo do governador nas eleições de São Paulo. E venho contribuir na formação de lideranças no Republicanos, cujos valores e princípios conjugamos – disse Garcia, em nota.
Cotado desde meados do ano passado para concorrer ao Senado nas próximas eleições, Rodrigo Garcia não será candidato em 2026, devido ao "congestionamento" da direita, segundo pessoas próximas a ele. A informação foi confirmada pelo cacique da legenda.
– O Rodrigo não deverá ser candidato nesta eleição. Contribuirá com o plano de governo do Tarcísio – afirmou Marcos Pereira.
Além da participação nos planos da reeleição, o ex-governador também atuará com Tarcísio no corpo-a-corpo com prefeitos paulistas, em uma provável disputa de território com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deverá ser escalado por Lula para percorrer o estado com Fernando Haddad (PT) quando a campanha começar - Garcia foi secretário de Habitação e Desenvolvimento Econômico de Alckmin na década passada.
Em agosto do ano passado, durante um encontro de prefeitos no estádio do Pacaembu, em São Paulo, Rodrigo Garcia esteve presente e foi um dos mais assediados pelos gestores municipais, o que chamou a atenção do entorno de Tarcísio, que também esteve no local. Na época, parte dos prefeitos paulistas, incluindo de partidos da base, se queixaram da falta de acesso ao governo, em especial à Casa Civil, e também de ausência de repasses financeiros, como mostrou O GLOBO na ocasião.
Ainda de acordo com Marcos Pereira, a queixa dos prefeitos foi solucionada, sobretudo com a chegada do atual secretário da Casa Civil, Roberto Carneiro, de seu partido.
Chegada e partidas
No dia em que o governador anunciou a chegada de Rodrigo Garcia ao seu partido, o Diário Oficial do Estado publicou a exoneração de Gilberto Kassab da Secretaria de Governo - ambos são desafetos, mas Marcos Pereira diz que foi uma "mera coincidência". Homem forte de Tarcísio durante o início da gestão, o cacique do PSD perdeu espaço e se distanciou do governador ao longo do mandato.
Kassab tentava se viabilizar no posto de vice do governador, de olho na possibilidade de assumir a titularidade em 2030. Tarcísio, porém, já manifestou a aliados, incluindo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o desejo de manter a composição atual com Felício Ramuth (PSD), ex-prefeito de São José dos Campos.
Conforme mostrou O GLOBO, a disputa pela posição na chapa ou por uma eventual sucessão de Tarcísio levou a um mal-estar entre Kassab e Ramuth. O correligionário cogita trocar de partido caso Kassab, interessado no posto, crie obstáculos para a recondução. A escolha também frustra o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, o deputado estadual André do Prado (PL), que tentou reverter a situação com apoio de Valdemar, mas sem sucesso.
Além da exoneração de Kassab, o Diário Oficial também publicou na quinta a saída da secretária de Esportes, Helena dos Santos Reis, que deverá concorrer nas próximas eleições.