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'Sou pré-candidato ao governo do Rio', admite oficialmente Eduardo Paes

'Sou pré-candidato ao governo do Rio', admite oficialmente Eduardo Paes

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), falou pela primeira vez de forma explícita que será candidato a governador nas eleições de 2026. Até esta segunda-feira, a despeito da intensa movimentação nos bastidores desde o início do ano passado, ele deixava no ar a intenção de concorrer, mas nunca a admitia. Paes também reforçou que apoiará a reeleição do presidente Lula (PT).

— Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro — disse após comandar a primeira reunião de secretariado do ano, que também pode ter sido sua última antes de deixar a prefeitura. — Acho que o estado carece, sim, de liderança política, gestão, autoridade, conduta correta na hora de conduzir as políticas públicas. É algo que vem na minha cabeça há algum tempo. Ao longo dos últimos meses fui formando minha decisão sobre isso.

Ao lado dele, ao fazer a declaração, estavam duas figuras-chave: o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que assumirá a prefeitura, e o deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD no estado. Na eleição de 2024, quando foi reeleito na cidade, Paes prometeu que continuaria até o fim do mandato, o que não vai ser cumprido.

Para ficar apto a disputar o estado, o prefeito precisa se desincompatibilizar do cargo até 4 de abril, seis meses antes do dia do voto. A tendência, contudo, é que ele passe a prefeitura para Cavaliere em 20 de março.

Paes tem tentado atrair o apoio de prefeitos e de dirigentes de partidos que lhe dariam capilaridade no estado. Um dos desafios do carioca é expandir sua votação para fora da capital.

Ainda é cedo para bater o martelo, mas alguns nomes despontam como opções de vice da chapa. Ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Rogério Lisboa (PP) é considerado o favorito.

Diferentemente de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o Rio concentra mais de 70% do eleitorado na Região Metropolitana. Por isso a Baixada e municípios que fazem divisa com a capital na parte leste, como São Gonçalo, são cruciais.

Apoio a Lula

Outro ponto a ser observado na campanha de Paes é o casamento entre a eleição de governador e a presidencial. Aliados, o prefeito e o presidente Lula estavam distantes nos últimos meses, mas se reuniram na semana passada para contornar episódios críticos. O petista tem avaliação ruim no Rio, e há temores no PT de que o candidato a governador possa abandoná-lo durante a corrida.

O prefeito, no entanto, reforçou nesta segunda o apoio ao presidente, embora tenha indicado que não pretende nacionalizar a campanha.

— Minha decisão é de apoiar a candidatura do presidente Lula, nunca tive dúvida disso — afirmou. — Está provado que quando as pessoas apenas seguiram o voto nacional aqui no Rio de Janeiro não fomos bem-sucedidos. Talvez a eleição de 2018, do Wilson Witzel (vinculado a Jair Bolsonaro), seja o maior exemplo disso.

Nessa linha de tentar "descasar" o voto fluminense, Paes disse ainda que "não é ele (Lula) quem vai governar o Rio de Janeiro se eu ganhar a eleição", e que vai "tratar do Rio de Janeiro" no processo eleitoral. Apontou também que, ao conversar com o presidente na semana passada, deixou claro que precisa fazer alianças com grupos diferentes.

— O presidente Lula me disse que gostaria de ver a deputada Benedita da Silva de volta ao Senado. Eu disse que seria uma honra, mas que também vou buscar a aliança mais ampla possível. O Rio precisa de união, de força, inclusive nessas alianças pode ter alguém que não concorde comigo na eleição presidencial.

Eleição indireta e crítica a petista

Outro comentário relacionado ao PT na declaração de Paes à imprensa envolveu a eleição indireta que o Rio precisará enfrentar se o governador Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar do cargo em abril para disputar o Senado. O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Assembleia Legislativa, portanto, teria que eleger alguém para comandar o Palácio Guanabara até o fim do ano.

Paes teceu críticas duras ao ex-presidente da Assembleia André Ceciliano (PT), hoje secretário no Palácio do Planalto, cuja candidatura é ventilada para a disputa indireta. Ele associou o petista a Rodrigo Bacellar, que foi preso e afastado do comando da Alerj por supostamente ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho.

— Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura para essas práticas de conexão com o crime, com o Comando Vermelho, continuarem no estado, não vai ter o apoio do PSD. Quem votar em candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar será expulso do partido — garantiu. — Aliás, é o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no deputado Bacellar para governador. A candidatura dele, para mim, significa a continuidade do Bacellar.

Segundo o prefeito, esse recado foi passado a Lula na conversa que tiveram na semana passada.

— Falei isso ao presidente Lula, que tem que tomar muito cuidado. Como é um candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados — alegou. — O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém.

Depois dos ataques de Paes, Ceciliano enviou uma nota para rebatê-lo. Chamou as declarações de “fala nervosinha” e negou que tenha se movimentado para viabilizar uma candidatura.

— Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava, e isso me deixa sinceramente lisonjeado — disse. — Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo.

Segundo o secretário de assuntos legislativos do Planalto, Paes e o entorno dele “já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no estado, como o pastor Silas Malafaia e governador Cláudio Castro”.

Hoje no quarto mandato, Paes é o prefeito mais longevo da história da cidade. Ele superou seu antigo padrinho político, Cesar Maia, que exerceu a função por três períodos. Eduardo Cavaliere, 31 anos, será o mais jovem a comandar a segunda capital de maior população do país.

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