O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, que mantém um “projeto de longo prazo” em São Paulo e que seu papel no grupo político é disputar a reeleição no estado e ajudar o candidato da direita ao Planalto, declarando apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo Tarcísio, a visita teve como objetivo prestar solidariedade ao ex-presidente e levar manifestações de apoiadores.
— Queria muito transmitir um abraço, uma solidariedade ao presidente Bolsonaro. Dizer para ele que nós estamos juntos — disse.
Ao ser questionado sobre 2026, o governador voltou a afastar uma candidatura presidencial e afirmou que sua prioridade é o estado.
— O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando. Apoio Flávio, sem dúvidas. Como eu tenho afirmado constantemente, vamos entrar muito fortes, muito unidos, agregando mais pessoas e falando de projeto para o país — afirmou.
Tarcísio afirmou que sua atuação será em um arranjo mais amplo da direita e defendeu unidade do campo conservador.
— Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente — declarou, ao mencionar que o país enfrenta, em sua avaliação, uma crise fiscal e moral.
Questionado sobre a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, Tarcísio afirmou que o ex-presidente avaliou o movimento de forma positiva.
— O presidente elogiou o Caiado para mim. Tem consideração por ele e entende que soma. Ter mais candidaturas não é um problema e no final teremos uma grande força — disse.
A visita
Tarcísio chegou pouco antes das 11h ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como “Papudinha”, onde Bolsonaro está preso. O encontro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mais cedo, às 9h, o governador se reuniu com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para tratar de projetos de interesse de São Paulo. O retorno à capital paulista está previsto para ainda hoje.
A visita ocorre após o cancelamento de um primeiro encontro, na semana passada, quando uma declaração de Flávio Bolsonaro antecipando o teor da conversa gerou mal-estar no entorno de Tarcísio. Na ocasião, o senador afirmou que Bolsonaro diria ao governador que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para ele.
Aliados do governador interpretaram a fala como tentativa de enquadramento público. Horas depois, Tarcísio desmarcou a visita sob justificativa formal de compromissos no estado, mas interlocutores relataram incômodo com a repercussão.
Desde então, Flávio passou a tratar o encontro como conversa pessoal.
— Vai ser mais um papo entre amigos. Se depender de mim, a direita vai estar unida — afirmou ao GLOBO.
Nos bastidores, a avaliação é que a visita funciona como gesto de distensão após o ruído da semana passada, mas não encerra a disputa sobre o papel de Tarcísio no arranjo de 2026. Publicamente, ele mantém a posição de que é candidato à reeleição em São Paulo.
Bolsonaro, mesmo preso, segue como ponto de convergência do campo conservador. No PL, Valdemar Costa Neto defende que decisões eleitorais passem pelo crivo do ex-presidente. O coordenador da pré-campanha de Flávio, Rogério Marinho, está autorizado a visitá-lo no próximo dia 4.