A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o instituto da família do ministro gerou reações entre políticos bolsonaristas. Nas redes sociais, os parlamentares lamentaram a remoção do magistrado da lista de sancionados e mencionaram sentimentos como “traição”, “pesar” e “humilhação”.
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Veja como cada um respondeu à notícia:
Eduardo Bolsonaro

Em nota, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afastado do Brasil desde março e em autoexílio nos Estado Unidos, afirmou receber a notícia "com pesar". Segundo ele, o "agravamento" da situação atual ocorreu devido a "falta de coesão interna e o insuficiente apoio às iniciativas conduzidas no exterior".
Na publicação, também assinada pelo bolsonarista Paulo Figueiredo, o parlamentar agradece ao presidente Donald Trump pelo apoio "ao longo dessa trajetória" e pela atenção dedicada à "grave crise de liberdades que assola o Brasil". Eduardo Bolsonaro foi um dos principais incentivadores da retaliação.
"Lamentamos que a sociedade brasileira, diante da janela de oportunidade que teve em mãos, não tenha conseguido construir a unidade política necessária para enfrentar seus próprios problemas estruturais. [...] Esperamos sinceramente que a decisão do Presidente seja bem-sucedida em defender os interesses estratégicos dos americanos, como é seu dever. Quanto a nós, continuaremos trabalhando, de maneira firme e resoluta, para encontrar um caminho que permita a libertação do nosso país, no tempo que for necessário e apesar das circunstâncias adversas. Que Deus abençoe a América, e que tenha misericórdia do povo brasileiro", diz o texto.
Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que há pessoas “pagando um preço alto” por “enfrentar a tirania instalada” no Brasil. O bolsonarista disse também que atribuir aos parlamentares e ao povo brasileiro a responsabilidade pela decisão do governo dos EUA é uma “fraude intelectual”.
Para Nikolas trata-se de uma “tentativa conveniente de simplificar um cenário complexo”, ao deslocar “injustamente a responsabilidade” para quem tem “enfrentado pressões e riscos reais dentro do país”.
A declaração ocorre após fontes do governo americano afirmarem que o avanço do projeto de lei que reduz penas de condenados pelos ataques do 8 de janeiro e pela trama golpista na Câmara dos Deputados, nesta semana, foi fator decisivo para que o governo Trump retirasse as sanções contra Moraes.
Nikolas também destacou que “apontar o dedo” é “mais do que injusto”, classificando a atitude como “perversa”. Ele afirmou que o país precisa de “lucidez, caráter e união”.
“Quem acompanha minimamente a realidade sabe que há, no Brasil, gente pagando um preço alto por enfrentar a tirania instalada. Apontar o dedo para esses é mais do que injusto: é perverso. Sou testemunha do árduo trabalho dos meus colegas parlamentares na busca pela liberdade do país, contra os abusos do Judiciário e do governo petista. O país não precisa de bodes expiatórios nem de narrativas infantis. Precisa de lucidez, caráter e união. Dividir o povo e quem os representa é o último recurso de quem já perdeu qualquer compromisso com a verdade. Unir-se, neste momento, não é opção retórica — é condição de sobrevivência moral e política”, escreveu no X, antigo Twitter.
Bia Kicis

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) se posicionou contra o fim das sanções da Lei Magnitsky aplicadas a Moraes e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes. No X, a parlamentar afirmou que o Congresso Nacional foi “completamente humilhado” após a decisão do ministro de anular o entendimento da Corte que preservaria o mandato de Zambelli, e relacionou com a decisão do governo dos EUA.
"O Congresso Nacional completamente humilhado com suas decisões menosprezadas pelo STF. E como se não bastasse, sanções Magnitsky retiradas de Moraes e sua esposa, a advogada milionária do Banco Master", escreveu a deputada.
Conforme a coluna de Malu Gaspar, a esposa de Moraes possuía um contrato com o Banco Master que previa que o escritório da família atuasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro, dono do banco, junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
Mauricio Marcon

O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) afirmou que o fim das sanções contra Moraes e sua esposa teve “preço cobrado por Trump” e que a direita “perdeu a batalha”, enquanto o “ditador está mais forte do que nunca”.
Em publicação no X, o parlamentar disse que o sentimento é de “traição” e que o “regime de perseguição” está consolidado no Brasil. Ele acrescentou que o caminho será “longo e doloroso”, mas que desistir “não será uma opção”.
"Certamente o preço cobrado por Trump não foi baixo, e em breve saberemos se Lula ofereceu as terras raras brasileiras ou o apoio na queda de Nicolás Maduro, mas isso não importa: a verdade é que perdemos essa batalha, e o ditador está mais forte do que nunca. O regime de perseguição está consolidado no Brasil e, como em outros momentos da história, não será derrubado sem que o povo se mobilize [...]. Trump pensou nos EUA, com seu slogan “America First”; cabe a nós, brasileiros de bem, resolvermos nossos problemas, sem contar com a ajuda de ninguém. O caminho será longo e doloroso, mas desistir jamais será uma opção" escreveu.
- Alexandre de Moraes