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Transparência Internacional vê prisão de Vorcaro como alerta sobre infiltração do crime 'nas altas esferas do Estado'

Transparência Internacional vê prisão de Vorcaro como alerta sobre infiltração do crime 'nas altas esferas do Estado'

A ONG Transparência Internacional Brasil afirmou nesta quinta-feira que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, na esteira do escândalo do Banco Master, serve de alerta para a forma como “lideranças de organizações criminosas violentas infiltram-se nas mais altas esferas do Estado”. A detenção de Vorcaro foi um dos desdobramentos da terceira fase da Operação Compliance Zero.

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A ONG alertou que as organizações criminosas operam “negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal”. A nota ressaltou também que o “crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção”.

“O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida”, apontou a ONG.

A operação de quarta-feira, que levou novamente Vorcaro à prisão, revelou a estrutura e os personagens centrais de uma rede suspeita de atuar como uma espécie de milícia privada para vigiar, intimidar e levantar informações sigilosas sobre desafetos do empresário.

Segundo a Polícia Federal (PF), o grupo, apelidado de “A Turma”, seria dividido em núcleos com funções específicas, envolvendo desde articulação financeira e repasse de recursos até coordenação operacional, execução de ameaças e acesso indevido a sistemas restritos de órgãos como a própria PF, o Ministério Público Federal e bases internacionais.

A Transparência Internacional-Brasil alertou que o avanço da criminalidade resulta “diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para serem construídos”. A nota cita, por exemplo, o fim da lista tríplice para a escolha do Procurador-Geral da República (PGR), retrocessos nas leis anticorrupção e o sequestro do discurso contra essas práticas ilícitas pelo “populismo autoritário”.

“O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído”, diz a ONG.

Leia a íntegra da nota da Transparência Internacional-Brasil:

"A prisão de Vorcaro e a exposição de seus métodos milicianos reforçam um alerta urgente ao Brasil: lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram‑se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção. O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida.

O avanço avassalador do crime organizado e a audácia de suas lideranças resultam diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para ser construídos. A anulação generalizada das provas e das condenações no maior e mais bem documentado caso de corrupção transnacional já revelado, os descontos, suspensões e anulações de multas, a devolução de fortunas confiscadas e repatriadas a corruptos outrora condenados, a reabilitação de empresários corruptos com acesso privilegiado até ao gabinete presidencial, os retrocessos nas leis anticorrupção, as reversões casuísticas de jurisprudência, a degradação institucional do sistema de Justiça e a corrosão moral de magistrados, a proliferação da advocacia lobista e corrupta, o silêncio da OAB, a perda de independência da PGR com o fim da lista tríplice, o sequestro do discurso anticorrupção pelo populismo autoritário, as campanhas de difamação, vilanização e assédio judicial contra juízes, promotores, policiais, auditores, jornalistas e ativistas que confrontam interesses corruptos poderosos, o apagamento das vítimas e de seus direitos violados — tudo isso compõe esse quadro trágico.

O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído.

Há, em todos os Poderes e em todos os segmentos sociais brasileiros, lideranças comprometidas com o combate à corrupção e a promoção da integridade. É vital que se unam e reajam antes que seja tarde demais."

  • Daniel Vorcaro