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Vice de Tarcísio escala declarações contra governo Lula para reforçar imagem anti-PT

Vice de Tarcísio escala declarações contra governo Lula para reforçar imagem anti-PT

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que está exercendo o cargo de governador nas duas últimas semanas, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) está de férias, tem ampliado as declarações contra o governo Lula e o PT, em uma estratégia para reforçar uma imagem pública de "anti-esquerda" e se posicionar mais claramente no campo da direita.

Ramuth é filiado ao PSD, partido que integra o governo Lula (PT), chefiando três ministérios: Minas e Energia, com Alexandre Silveira, Pesca, com André de Paula, e Agricultura, com Carlos Fávaro.

Nesta sexta-feira, o vice de São Paulo voltou a associar o PT ao narcotráfico, dizendo que o partido “está sempre ao lado do criminoso, inclusive em palanques públicos”.

— É um partido que entra em lugares das cidades, como no Rio de Janeiro, que o tráfico domina e que a própria polícia não consegue entrar, que não consegue evitar a entrada de armas e drogas pelas nossas fronteiras. É um partido que está sempre ao lado do criminoso, inclusive em palanques públicos aqui na favela do Moinho. Reafirmo o que disse. Sim, o PT é um partido narcoafetivo — falou nesta sexta-feira (9), após inaugurar uma casa de acolhimento para dependentes químicos na Zona Norte de São Paulo.

As falas ocorrem mesmo após o presidente da sigla, Edinho Silva, anunciar que vai processar o político por ter chamado a legenda de “partido narcoafetivo”.

Sob a gestão de Edinho, o PT tem acionado a Justiça contra opositores que ligam a legenda a facções criminosas e traficantes, e recentemente obteve vitórias contra Flávio Bolsonaro, um pastor influenciador e o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB).

Ramuth ainda criticou a gestão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e chamou de “boa notícia” a saída dele da pasta, anunciada nesta quinta-feira (8).

— Uma boa notícia foi a saída do ministro Lewandowski. Na minha opinião, é o pior ministro da Justiça da história. A gente teve a proposta dele de uma lei de segurança pública inócua que, justamente por isso, não foi adiante, que também tirava poderes dos governadores. Também mais uma frase infeliz do governo administrado pelo PT quando ele diz que a polícia prende mal, por isso que a Justiça é obrigada a soltar — falou.

De olho nas eleições

Ramuth tenta se manter na condição de vice de Tarcísio, caso o governador de São Paulo concorra à reeleição, e estaria em uma posição privilegiada numa eventual saída dele para a disputa à Presidência. Isso porque a Justiça Eleitoral exige a descompatibilização do cargo seis meses antes do pleito, marcado para outubro. Ele teria, assim, alguns meses para mostrar serviço à população e se lançar como sucessor no cargo.

Ao menos desde o ano passado o político procura melhorar a imagem junto ao bolsonarismo para diminuir resistências. Ele enfrenta a concorrência pela vice, por exemplo, com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, André do Prado (PL), além do presidente do seu próprio partido, Gilberto Kassab (PSD), secretário de Governo. Como protagonista nas urnas, outros cotados são o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP).

Pesquisas recentes apontam índices semelhantes entre eleitores paulistas que votariam ou não em um candidato apoiado por Tarcísio. Em cenários simulados de segundo turno, porém, Ramuth aparece em desvantagem contra os principais nomes da esquerda cotados para a disputa.

Ex-prefeito de São José dos Campos por um mandato e meio, Ramuth passou 28 anos filiado ao PSDB. Em 2022, foi lançado pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, pregando uma "terceira via" independente de Lula (PT) e Bolsonaro, mas retirou a candidatura em favor de uma aliança com Tarcísio. O PSD apostou no atual governador quando o meio político em peso, incluindo uma ala relevante do PL, preferia Rodrigo Garcia, que tinha assumido o cargo no lugar de João Doria.