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Zema insiste em candidatura própria, mas aliados veem acenos do governador ao projeto de Flávio

Zema insiste em candidatura própria, mas aliados veem acenos do governador ao projeto de Flávio

Embora siga afirmando publicamente que pretende disputar a Presidência da República em outubro deste ano, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), vem fazendo gestos políticos que, nos bastidores da direita, são interpretados como uma possibilidade de composição com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A abertura alimenta especulações entre aliados do parlamentar e no entorno do próprio governador de que ele poderia integrar uma eventual chapa presidencial liderada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Procurado, Zema não se manifestou.

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A leitura ganhou força após uma série de agendas e posicionamentos que aproximaram Zema de pautas centrais do bolsonarismo. Entre os episódios citados por interlocutores está a participação do governador no ato promovido por apoiadores de Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, há duas semanas.

No evento, Zema dividiu espaço com lideranças do campo conservador e reforçou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), gesto interpretado por aliados de Flávio como um sinal de aproximação política com a base do ex-presidente.

Outro movimento que chamou atenção ocorreu quando Zema esteve em Brasília na segunda-feira para protocolar, ao lado de parlamentares do Novo, um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A iniciativa foi apresentada no Senado como reação a decisões do magistrado consideradas excessivas por setores da direita e é uma das bandeiras que mais mobilizam a base bolsonarista no Congresso.

Entre integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a avaliação é que os movimentos do governador mineiro não passam despercebidos. Aliados afirmam que Zema é visto como um dos nomes com potencial para integrar uma eventual composição de chapa, sobretudo pelo peso eleitoral de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, e pelo perfil liberal na economia, que poderia ampliar o alcance da candidatura.

Interlocutores próximos ao senador dizem que Zema tem evitado confrontar diretamente o projeto do PL e mantém canais de diálogo abertos com lideranças bolsonaristas. Para esse grupo, o comportamento sugere que o governador busca preservar espaço em diferentes cenários dentro do campo conservador, especialmente em um ambiente de fragmentação da direita.

Publicamente, porém, Zema insiste em manter o discurso de candidatura própria. Em entrevistas recentes, o governador afirmou que pretende levar adiante o projeto do Novo para disputar o Palácio do Planalto e rejeitou a hipótese de integrar uma chapa como vice.

Apesar disso, integrantes da própria campanha do governador mineiro admitem que conversas sobre cenários eleitorais vêm ocorrendo entre lideranças da direita. A maior resistência a uma eventual composição com o PL estaria dentro do Partido Novo, onde dirigentes defendem a manutenção de uma candidatura própria.

O vice-presidente do Novo em Minas Gerais, Fred Papatella, afirma que a participação em manifestações críticas ao STF não deve ser interpretada como gesto de campanha.

— Enquadrar a indignação com o STF como bolsonarista é reduzir muito. O ato foi uma questão partidária, muito além de qualquer estratégia eleitoral. Trata-se de uma indignação como sociedade. Não tem nada a ver com campanha — disse.

Dentro do PL, a discussão sobre a vice ainda está em estágio inicial. Integrantes da pré-campanha de Flávio afirmam que diferentes perfis estão sendo avaliados e que a definição dependerá do desenho final da coalizão que sustentará o projeto presidencial.

Uma ala do grupo defende que a vaga seja ocupada por uma mulher nordestina, estratégia vista como forma de ampliar a presença do bolsonarismo em uma região onde o campo conservador enfrenta maior resistência eleitoral.

Nesse grupo, o nome mais citado é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro e hoje uma das principais lideranças do agronegócio no Congresso.

Aliados do senador evitam, no entanto, antecipar qualquer definição. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que a escolha ainda está distante.

— Zema é um bom nome, mas temos tempo para escolher vice — disse.