As campanhas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram nesta quinta-feira ter chegado a um acordo para abrir sigilos dos candidatos, pessoas e empresas relacionadas a eles. Segundo anunciaram as duas candidaturas, eles têm até 23h59 desta quinta-feira para apresentar as autorizações para abrir documentos. Depois, caberá ao ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avaliar e decidir se libera os documentos. Mendonça é relator da petição de Lula autoriza a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Não há prazo para ele decidir.
Por meio de suas equipes jurídicas, Flávio e Lula assinaram uma petição em que os dois candidatos autorizam o levantamento imediato dos seus dados e dos seus familiares. No caso de Flávio, as autorizações alcançam todas as contas bancárias, no Brasil e no exterior, além de uma offshore ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
A advogada da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, havia afirmado, ao chegar na reunião no TSE, que só entregará os documentos referentes à abertura dos sigilos bancário e telefônico após analisar o material apresentado por Lula. Já a campanha petista defende que haja entrega simultânea de documentos e que não vai disponibilizá-los enquanto Flávio não entregar.
Segundo a advogada, os documentos de Flávio já estão reunidos, mas a entrega só ocorrerá após se certificarem que Lula apresentou tudo que foi estabelecido como condicionante.
— Nós temos tudo já. Não é nem condição, é porque a transparência não pode ser pela metade — afirmou Bucchianeri.
Questionada sobre quando a campanha apresentará os dados, ela disse que isso poderá ocorrer assim que a documentação do petista for conferida. Segundo a campanha de Flávio, o objetivo é identificar eventuais inconsistências nas informações apresentadas.
— Se a gente confirmar que tudo que ele se comprometeu ele trouxe, será imediatamente — declarou.
A equipe de Flávio escalou o ex-procurador da República e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que esteve ao lado de Bucchianeri nesta manhã no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para acompanhar o protocolo de documentos da campanha adversária.
Mais cedo, o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, também chegou ao TSE para protocola documento no qual a candidatura responde que aceita as exigências de Flávio.
A disputa em torno dos sigilos começou após Lula desafiar Flávio, durante o debate da Band, no último domingo, a divulgar dados bancários e telefônicos para esclarecer suspeitas de corrupção. Na quarta-feira, o senador respondeu com uma lista de 19 exigências, protocolada no TSE, para aceitar a proposta.
Entre os pedidos estão informações bancárias e fiscais de empresas ligadas aos filhos de Lula, registros de encontros do presidente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dados sobre a lobista Roberta Luchsinger e despesas do cartão corporativo da Presidência. Flávio também solicitou informações sobre voos da Força Aérea Brasileira (FAB), visitas aos palácios presidenciais e reuniões de pessoas próximas ao governo com autoridades.
Ainda na quarta-feira, a campanha de Lula anunciou que aceitaria todas as exigências. Integrante da coordenação petista, o senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou que a resposta seria formalizada no TSE nesta quinta-feira, às 11h, e classificou os pedidos de Flávio como uma tentativa de evitar o cumprimento do desafio.
— O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor em relação a tudo que ele colocou como condicionante — afirmou Camilo.