O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, neste sábado, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá "conduzir bem" a crise entorno do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Congresso, além de frisar que a Polícia Federal (PF) possui independência para atuar no caso. Na última quinta-feira, o parlamentar foi alvo da Operação Compliance Zero por suspeita de envolvimento no caso Master a partir do recebimento de vantagens indevidas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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— O presidente Lula vai conduzir bem a questão e quero destacar o exemplo do governo com o espírito republicano. A Polícia Federal tem total independência para cumprir o seu trabalho — afirmou Alckmin, em declaração concedida a jornalistas durante agenda em Dom Aquino (MT), conforme informações do Valor Econômico.
O futuro de Wagner no governo deve ser definido em um encontro presencial com Lula no começo da próxima semana, como mostrou o GLOBO. Há uma pressão no entorno da presidência para que o senador seja afastado da função, mas o assunto divide integrantes do Palácio do Planalto e aliados da Lula no Congresso.
– Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema – disse Wagner, em entrevista à BandNews, ainda na quinta-feira.
Entenda a operação
Segundo a Polícia Federal, documentos obtidos pela investigação mostram pagamentos feitos à nora do senador, Bonnie Bonilha, que recebeu cerca de R$ 11 milhões do banco de Vorcaro por meio de um contrato de consultoria firmado com sua empresa. Além disso, Wagner também teria recebido um apartamento como forma de propina.
Em nota após a operação, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. A firma, por sua vez, nega irregularidades e diz que prestou serviços.
Antes de ser alvo, o senador afirmou que esteve duas vezes com Vorcaro, e disse que achava "ótimo" caso ele resolvesse fazer um acordo de delação premiada, tentativa que acabou rejeitada pela PF e a Procuradoria-Geral da República.
Wagner vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma "trambicagem", negando qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso.
Em entrevistas e discursos no Senado, o petista afirmou estar "tranquilo e calmo", disse que não havia investigações sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central.