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Alcolumbre tenta acordo entre Congresso, governo e STF por ‘pacificação’ e avalia aceno a Bolsonaro

Alcolumbre tenta acordo entre Congresso, governo e STF por ‘pacificação’ e avalia aceno a Bolsonaro

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avalia construir um acordo para fazer um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados do senador dizem que Alcolumbre entende que as instituições do país precisam trabalhar por uma pacificação que supere as crises que envolvem o bolsonarismo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal.

Alcolumbre tenta ser reconduzido ao comando da Casa em fevereiro e enfrenta hoje a oposição de senadores ligados a Bolsonaro. O PL, partido do ex-presidente, alcançou mais de um terço da Casa, com 29 senadores a partir do ano que vem, e terá a maior bancada do Senado.

Diversos senadores eleitos de direita, como Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Evair de Melo (Republicanos-ES) descartam qualquer acordo para apoiar Alcolumbre e fizeram suas campanha com o mote de enfrentar o STF.

Como forma de atrair parte desse grupo, Alcolumbre tenta fechar um acordo para reduzir o cerco judicial contra a oposição.

Um aceno nessa linha chegou a ser tentado antes das eleições, já no ano passado, com a aprovação de um projeto que reduz as penas de Bolsonaro, preso após ser condenado por liderar uma trama golpista, e outros condenados pelos ataques do 8 de Janeiro. A iniciativa foi suspensa pelo Supremo e ainda não há previsão de quando o caso deve ser analisado pela Corte.

A redução das penas, no entanto, foi criticada por parte da oposição, que deseja uma anistia ampla que perdoe a pena de Bolsonaro e o tire da prisão. O plano do grupo da oposição era que fosse dado um indulto presidencial a Bolsonaro ou que o Congresso aprovasse a anistia ampla.

A ideia era aplicar uma das duas medidas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tivesse vencido a eleição presidencial, mas, mesmo diante da vitória do presidente Lula, Alcolumbre tenta um acordo, que incluiria o petista, para reduzir a tensão institucional com o bolsonarismo.

Lula ainda não foi consultado pelo presidente do Senado sobre o assunto e o entendimento é que as conversas ainda estão no estágio inicial.

Ainda que Flávio Bolsonaro tenha perdido a eleição e fugido do país depois da derrota, o PL elegeu a maior bancada do Senado e também a maior da Câmara, com 121 deputados federais, sendo uma força relevante no Congresso.

Alcolumbre procurou senadores, integrantes da Câmara e do Poder Judiciário para debater alternativas para baixar a temperatura das tensões entre as instituições. Apesar disso, ainda não foi fechado um acordo sobre como isso deverá ser feito.

Esse grupo também cobra o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, considerado inimigo político pelo bolsonarismo por relatar casos que miraram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. O desgaste político de Moraes se ampliou depois de reveladas conexões dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O impeachment de Moraes é uma bandeira pela qual diversos senadores bolsonaristas se elegeram na disputa de 2026, além do PL, partidos como PP, Novo e Republicanos também elegeram senadores que tentam articular o impeachment do ministro.

Apesar disso, o entendimento é que Alcolumbre não trabalhará para afastar o ministro, de quem é aliado, da Corte. A tentativa de aceno ao bolsonarismo também é uma forma de reduzir a pressão sobre Moraes.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), disse que Davi Alcolumbre o procurou para falar sobre alternativas de acenos ao bolsonarismo.

– Não tem nada de anistia, talvez um projeto que ele apresentasse de dosimetria. Eu até lembrei do discurso (após o resultado da eleição) do presidente (Lula) em São Paulo, que ele falou que ia governar para 215 milhões de brasileiros, que o espírito dele é o de pacificação, que o presidente Lula nunca estimulou estado de guerra, beligerância.

Apesar disso, Otto declarou que não há ainda um acordo sobre qual medida seria adotada.

– Não tem projeto, não tem nada absolutamente. Aprovou a dosimetria lá atrás, mas teve veto. Talvez uma revisão (de penas). Davi falou assim en passant (de passagem), de uma maneira geral. Ele (Davi Alcolumbre) falou muito mais de pacificação do estado que estamos vivendo.

Alcolumbre aposta em uma aliança com senadores de partidos do Centrão que são próximos dele, do PT e outras siglas da base de Lula, como PSB e PDT, para seguir no cargo, o que daria a ele uma base de 33 parlamentares.

O número é um pouco maior que os 31 senadores que o PL e o Novo, que rejeitam qualquer acordo com Alcolumbre, terão a partir do ano que vem. O cenário é desafiador para o presidente do Senado porque estarão também em disputa os votos das bancadas do PP, Republicanos, Podemos e PSDB, que somam 16 parlamentares.

Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) tentam se viabilizar como candidatos à presidência do Senado. Em uma estratégia para se fortalecer, Alcolumbre conseguiu o apoio da federação União Brasil-PP, que também tem Tereza Cristina entre seus membros.

Ainda assim, mesmo com o apoio da cúpula dos partidos, a ala de oposição da federação resiste a apoiar Alcolumbre. Após os partidos divulgarem apoio a Alcolumbre, Derrite disse que não apoiaria o presidente do Senado e que estaria com o nome que a oposição escolhesse, citando Marinho e Tereza.