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Alcolumbre trabalha por Pacheco no TCU e amplia indefinição de palanque de Lula em Minas

Alcolumbre trabalha por Pacheco no TCU e amplia indefinição de palanque de Lula em Minas

Ainda com dificuldades para fazer de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) candidato ao governo de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a enfrentar mais um obstáculo para reforçar o palanque em estado considerado decisivo para a eleição deste ano. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a articular junto a aliados a indicação de Pacheco a uma vaga do Tribunal de Contas da União (TCU), em posto reservado à Casa a partir da provável saída do ministro Bruno Dantas.

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A articulação ganhou musculatura depois que integrantes da bancada do MDB, que indicou Dantas, passaram a admitir apoio ao nome de Pacheco para o tribunal. Segundo relatos, a avaliação dos senadores é que a indicação poderia “pacificar” o ambiente político da Casa num momento de crescente apreensão entre senadores. Uma das preocupações é que a eleição incentive disputas partidárias em um momento em que lideranças políticas estão na mira Polícia Federal (PF).

A operação contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a ser tratada como um alerta na cúpula do Senado de que é preciso agrupar forças. Segundo relatos feitos ao GLOBO, a hipótese de Pacheco ser indicado ao TCU deixou de ser apenas especulação de bastidor e passou a circular de forma mais concreta entre integrantes do União Brasil, MDB e PSD depois da ação da PF da semana passada.

Nesse cenário, a possibilidade de acomodar Pacheco no tribunal passou a ser vista como uma solução capaz de reorganizar forças no Senado, reduzir tensões entre grupos políticos e, ao mesmo tempo, redefinir o cenário eleitoral de Minas Gerais.

Interlocutores afirmam que Bruno Dantas recebeu recentemente uma proposta da iniciativa privada considerada “irrecusável” para deixar o tribunal, embora ainda não tenha tomado decisão definitiva. Aliados de Pacheco também monitoram outra vaga que poderá ser aberta, também de indicação do Senado, com a expectativa de aposentadoria do ministro Augusto Nardes. Ele completa 75 anos em setembro de 2027, mas avalia antecipar sua saída da Corte.

Integrantes da própria base governista passaram a admitir publicamente a viabilidade de Pacheco no TCU. Governistas afirmam que Pacheco dificilmente seria contemplado numa vaga de indicação direta do Palácio do Planalto, mas avaliam que, numa cadeira vinculada ao Senado, a operação é politicamente viável.

No entorno do senador mineiro, interlocutores afirmam haver disposição para discutir o tema.

Nova tensão

O avanço das conversas abriu uma nova frente de tensão entre Alcolumbre e o Planalto. Integrantes do governo afirmam que Lula não quer perder Pacheco neste momento porque o considera uma das poucas alternativas capazes de montar um palanque competitivo em Minas. O senador mineiro foi preterido por Lula para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal — Jorge Messias, o escolhido do petista, acabou rejeitado pelo Senado em articulação que teve Alcolumbre, que preferia Pacheco, como peça-chave.

Já o senador tem demonstrado pouca disposição para entrar na disputa estadual. Segundo interlocutores, Pacheco vem resistindo às investidas do PT e evita assumir compromissos eleitorais mais explícitos em Minas, movimento que passou a alimentar, dentro do Senado, a avaliação de que a saída para o TCU pode ser mais viável politicamente do que uma candidatura.

Abrir mão de Pacheco agora significa para o PT deixar ainda mais livre o espaço para grupos ligados ao bolsonarismo e ao governador Romeu Zema no segundo maior colégio eleitoral do país.

O impasse também trava negociações partidárias no estado. Como mostrou O GLOBO, dirigentes de siglas reclamam reservadamente da indefinição do senador, que evita confirmar candidatura, mas também não libera aliados para apoiar outros projetos locais. A eventual ida ao TCU resolveria imediatamente esse impasse e abriria espaço para rearranjos entre MDB, União Brasil, PDT e PSDB em Minas. O deputado Rogério Correia (PT-MG) diz que Pacheco não conversou com aliados sobre TCU.

— Espero que seja candidato em Minas — afirmou.

O avanço do plano envolvendo Pacheco ocorre num momento de agravamento da tensão entre Alcolumbre e Lula. Na quinta-feira passada, logo após a operação da PF, o presidente do Senado reuniu em sua residência oficial integrantes do núcleo duro da Casa.

Segundo relatos, Alcolumbre estava “irritadíssimo” com o avanço das investigações e passou a defender mais cautela institucional dentro do Congresso.

Desde que Pacheco começou a demonstrar sinais de que não prosseguiria com o projeto eleitoral, o PT começou a se movimentar em uma frente paralela. Na semana passada, iniciou conversas com ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) — que, por sua vez, resiste a se vincular diretamente a Lula.

À frente das articulações, o presidente do partido, Edinho Silva, teve ontem uma conversa com Pacheco, cujo desfecho ainda não havia sido confirmado até a noite. Diante do alto desconhecimento do atual governador, Mateus Simões (PSD), e com a direita indecisa entre uma candidatura própria do PL e Cleitinho (Republicanos), ainda há grande incerteza sobre o cenário de Minas. O PT chegou a cogitar outros nomes, como do empresário Josué Alencar, embora ainda haja dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral.

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