Depois da negativa do Republicanos para lançar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas, o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) é o principal cotado para receber o apoio das siglas à direita no estado. Aro caminha para encabeçar o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo maior colégio eleitoral do país, após ascender na política nacional com apoio de Eduardo Cunha e colecionar rompimentos com aliados de diferentes campos políticos.
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De família influente no futebol mineiro, Aro foi eleito vereador por Belo Horizonte aos 23 anos, em 2012, e entrou na política nacional dois anos depois, como deputado federal. Na Câmara, se aproximou do então presidente da Casa, Eduardo Cunha, que o indicou para o comando da diretoria de ética e transparência da CBF. Aro esteve no grupo de aliados do emedebista durante a condução do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e defendeu o padrinho até o fim do processo de cassação do seu mandato em 2016.
O mineiro foi um dos deputados que não compareceram à sessão do plenário que votou pelo afastamento definitivo de Cunha naquele ano. Também é o grande fiador da mudança de domicílio eleitoral de Cunha para Minas Gerais na tentativa de voltar à Câmara: após uma negociação fracassada de emplacar o aliado no Podemos — partido que já comandou e mantém forte influência —, Aro encaminhou a filiação do carioca ao Republicanos, depois de se aproximar do presidente da sigla em Minas, Euclydes Petterson.
Como presidente do nanico PHS em Minas, Aro deu legenda e apoiou a eleição de Alexandre Kalil, filiado ao partido, para a prefeitura de Belo Horizonte (MG). A relação entre os dois também remete ao futebol: Kalil presidiu o Atlético Mineiro, do qual Aro faz parte do conselho. Em retribuição pelo apoio na disputa municipal, o prefeito fez campanha para a reeleição do deputado em 2018, mas os dois romperam nos anos seguintes em função de divergências políticas e Aro buscou aproximação com o governador Romeu Zema (Novo), principal rival do político do ex-cartola.
De Kalil para Zema, de Simões ao voo solo
Aro foi responsável por buscar a aproximação de Zema, eleito com a plataforma de ser um "antipolítico", com caciques do Centrão, como o deputado Ciro Nogueira.
Em 2022, o deputado passou a articular para assumir a vice na chapa de reeleição do governador, mas foi preterido por Mateus Simões, à época filiado ao Novo, o mesmo partido do governador. Preterido, Aro concorreu e perdeu a corrida ao Senado por Minas, justamente para Cleitinho, mas foi nomeado para o comando da Casa Civil na gestão Zema. Já em 2025, em meio às negociações para a candidatura presidencial de Zema, foi transferido para a Secretaria Estadual de Governo, passando a assumir a articulação política com a Assembleia Legislativa, com os partidos aliados e com as prefeituras do interior do estado.
Aro renunciou ao cargo em abril deste ano, durante o período de desincompatibilização, e deixou em seu lugar um aliado próximo, o ex-senador Castellar Neto, presidente da Federação Mineira de Futebol, cargo que já foi de Adriano Aro, irmão do ex-deputado. O plano inicial previsto era concorrer ao Senado na chapa de reeleição de Simões neste ano. O ex-secretário, no entanto, resistiu à hipótese de precisar dividir espaço na composição com o senador Carlos Viana, recém-filiado ao PSD e interessado na releição. Ex-correligionários de PHS e Podemos, Aro e Viana também são rompidos.
Diante da indefinição de Cleitinho, o entorno de Aro passou a articular na última semana, no entanto, para que o ex-secretário concorra ao governo de Minas. O plano tem o apoio da federação União Progressista, do PL e do Republicanos, que negociarão a composição final da chapa.
O martelo foi batido durante uma reunião na noite desta terça-feira entre o ex-secretário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o senador Rogério Marinho (PL-RJ), que coordena a campanha presidencial. O presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor, também esteve presente e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, participou de uma parte da conversa por telefone.
Pelo novo cenário traçado, Aro tende a liderar a chapa e a vice poderá ficar com o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho, ou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão.