Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm se dividido sobre como a campanha à reeleição deve tratar as novas revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Um grupo vê necessidade de falar abertamente sobre o caso, mostrando que Lula não poupará o filho, caso sejam comprovadas irregularidades. Outra ala, no entanto, defende que esse assunto seja deixado de lado para evitar desgastes desnecessários. A avaliação comum é que os inquéritos que apuram a suspeita de tráfico de influência de Lulinha se tornaram pontos vulneráveis da campanha à reeleição.
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Os desdobramentos do caso ampliaram o constrangimento. Amiga de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, disse em mensagens ao filho de Lula que os dois trabalham em "outro” nível e que o futuro deles é a Suíça. Os diálogos estão sendo analisados pela Polícia Federal.
O conteúdo foi revelado pelo Metrópoles e confirmado pelo GLOBO. Um dos diálogos em poder dos investigadores ocorreu em 22 de março de 2024. A lobista diz a Lulinha: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente responde em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
Como mostrou o colunista Lauro Jardim, a campanha vê as novas revelações como "fatos gravíssimos". A avaliação de aliados é que o PT ainda bate cabeça sobre o melhor tom a ser adotado sobre o episódio, especialmente por não saber até onde vai o potencial desgaste provocado pelas investigações.
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A falta de consenso interno também atrapalha a estratégia da campanha de desgastar a imagem do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e seus vínculos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A linha defendida pelo presidente da legenda, Edinho Silva, pelo marqueteiro Raul Rabelo e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) Sidônio Palmeira, é usar o tom de que as suspeitas têm que ser investigadas, mas tratando o caso apenas quando houver questionamento, sem abordá-lo ativamente. Na segunda-feira, Edinho adotou essa estratégia:
— As denúncias que envolvem o Fábio, ele (Lula) já disse isso, do mesmo jeito as denúncias envolvem o Marco Aurélio (Marcola), ele quer que sejam investigadas. Que os dois tenham amplo direito de defesa como qualquer cidadão brasileiro, mas, como qualquer cidadão brasileiro, que eles sejam investigados e que nesse processo possam provar sua inocência. É a postura correta que o presidente da República tem quer — respondeu, ao ser indagado se os episódios poderiam trazer desgaste para a campanha de Lula, em coletiva de imprensa na sede do PT.
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Esse núcleo defende que a campanha precisa ser baseada na comparação de como Lula recebeu o governo de Jair Bolsonaro, com o que foi realizado na gestão petista, e deve focar em ampliar a rejeição de Flávio junto a fatia independente do eleitorado.
Já o grupo que avalia que o assunto deveria ser tratado ativamente entende que Lula se distancia da postura do ex-presidente Jair Bolsonaro toda vez que Lula aborda as investigações em relação ao filho e conta que o cobrou sobre seus atos.
Na última sexta-feira, Lula revelou que pediu aos advogados de Lulinha que não peçam o encerramento dos processos que investigam seu filho mais velho:
— Ele jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele, mas eu já disse para os advogados: "Ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho". Quer fazer inquérito, faça. Quero que seja investigado, como eu fui — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize.
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