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Alvo da PF, Ciro Nogueira reapresenta ‘emenda Master’ para ampliar cobertura do FGC

Alvo da PF, Ciro Nogueira reapresenta ‘emenda Master’ para ampliar cobertura do FGC

Cinco dias após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) fruto de investigação sobre o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reapresentou nesta terça-feira um projeto para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra de instituições financeiras.

A proposta retoma uma iniciativa que passou a ser chamada nos bastidores de “emenda Master” após ser citada pela Polícia Federal na investigação sobre supostas vantagens indevidas pagas ao senador por pessoas ligadas ao banco.

Segundo a PF, mensagens apreendidas indicariam que a versão anterior do texto teria sido elaborada dentro do Banco Master e encaminhada ao parlamentar. A defesa de Ciro nega irregularidades e afirma que sua atuação parlamentar seguiu critérios técnicos.

O novo projeto prevê ainda a revisão obrigatória do teto de cobertura do FGC a cada quatro anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Na justificativa da proposta, Ciro afirma que o limite atual está “defasado” por permanecer congelado desde 2013 e argumenta que a inflação e a alta da taxa Selic reduziram o poder real de proteção dos depósitos bancários.

O texto sustenta que a simples correção do valor original pela inflação oficial medida pelo IPCA já exigiria praticamente o dobro do limite atual, enquanto a atualização pela Selic elevaria o teto para cerca de R$ 850 mil.

Ciro também argumenta que o patrimônio do próprio FGC cresceu mais de quatro vezes desde o último reajuste e afirma que a medida aproximaria o Brasil de padrões internacionais de cobertura bancária adotados em países como Estados Unidos, Reino Unido e integrantes da União Europeia.

Na proposta, o senador afirma que o projeto busca “restaurar a proteção real do depositante”, “preservar a higidez do Fundo” e fortalecer a confiança no sistema financeiro nacional.

A reapresentação ocorre no mesmo dia em que Ciro voltou às redes sociais para atacar as investigações da PF e classificá-las como um “roteiro absurdo de ficção”. Em vídeo publicado nesta terça-feira, o senador afirmou ser alvo de perseguição política e comparou a operação atual a uma investigação sofrida por ele em 2018, às vésperas das eleições.

— Não é a primeira vez que sou vítima de ataques em ano eleitoral. Mas essa tática não funcionou em 2018 e não vai funcionar agora — afirmou.

O senador também reorganizou sua estratégia jurídica após a operação e escolheu o advogado Conrado Gontijo, afilhado do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para assumir sua defesa no caso Master.

O projeto reapresentado nesta terça altera a legislação para incluir regras gerais sobre o funcionamento do FGC e elevar formalmente o teto individual da garantia para R$ 1 milhão.